Angola arrisca-se a cair para quinta maior economia de África

A Bloomberg Intelligence alertou que novas desvalorizações do kwanza, no seguimento do acordo com o FMI, podem fazer com que Angola caia para o quinto lugar das maiores economias da África subsariana.

José Sena Goulão/Lusa

A Bloomberg Intelligence alertou que novas desvalorizações do kwanza, no seguimento do acordo com o FMI, podem fazer com que Angola caia para o quinto lugar das maiores economias da África subsariana.

“O Fundo elenca a flexibilidade da taxa de câmbio para recuperar competitividade como um pilar crítico do programa; uma desvalorização adicional do kwanza deve fazer com que Angola escorregue para o quinto lugar das maiores economias da África subsariana”, escrevem os analistas da Bloomberg Intelligence.

As previsões atuais do FMI para Angola estão baseadas numa desvalorização do kwanza em 48,5% este ano e 28% no próximo ano, o que compara com as estimativas anteriores de 10,1% e 7,3%, respetivamente, acrescentam os consultores da agência de informação financeira Bloomberg.

A Nigéria e a África do Sul lideram a lista das maiores economias apontadas pelo FMI nas Previsões Económicas Mundiais de Outubro, seguido de Angola, Quénia e Etiópia, sendo que estes dois últimos ultrapassariam Angola na lista se as desvalorizações do kwanza continuarem, segundo a Bloomberg Intelligence.

Sobre a redução do valor do programa do FMI, várias vezes apontado pelo Executivo (4,5 mil milhões de dólares) para 3,7 mil milhões de euros, esta consultora diz que este valor “deve ajudar a redimensionar a sua economia para uma produção de petróleo mais baixa”.

Desde janeiro, quando se situava nos 165,92 kwanzas por dólar, a moeda angolana depreciou-se 46,64%.

Em declarações à agência Lusa no princípio de Dezembro, o administrador do banco central Pedro Castro e Silva garantiu que a pressão sobre as divisas em Angola “terminou”, após as medidas que geraram uma maior previsibilidade no mercado cambial e de uma melhor comunicação com os bancos comerciais.

O facto de, desde Janeiro, o kwanza ter-se depreciado significativamente estava previsto no âmbito do Programa de Estabilidade Macroeconómica (PAM), que passou por uma maior liberalização da taxa de câmbio.

“Esta tarefa está cumprida e já não temos mais nenhum ajustamento a fazer”, sublinhou Castro e Silva, para justificar a relativa estabilidade da moeda angolana nas últimas semanas.

Castro e Silva disse acreditar que, nos próximos tempos, a tendência será a de Angola entrar numa fase em que a moeda nacional “vai assumir comportamentos como se vêem nas outras moedas”, com movimentos de depreciação, quando a procura for maior que a oferta, e de apreciação, quando suceder o contrário.

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