António Costa defende mais, mas principalmente melhor emprego

Conselho de ministros de amanhã é dedicado a medidas que promovam a aplicação de 3% do PIB em investigação e desenvolvimento.

Reuters

António Costa afirmou que a Madeira é o responsável pelo alargamento do défice público, mas não haverá consequências, porque a boa gestão do erário faz com que o Executivo possa ir mais além que o prometido e que a meta é agora a de promover o melhor emprego “para todos os portugueses”.

Alexandre Quintanilha, cientista eleito pelo PS no Porto, finalizou o debate – tendo-se demorado na questão da qualidade do ensino universitário. Avaliação, valorização e internacionalização são, para aquele antigo professor universitário, as áreas que importa mensurar – sem esquecer as carreiras de investigação científica, como forma de assegurar a transferência de conhecimento. Serão estes investimentos suficientes para abandonar o crescimento sustentado nos baixos salários?, questionou.

António Costa agradeceu que Alexandre Quintanilha tivesse feito regressar o debate ao seu tema inicial, disse que a inovação e não os baixos salários é o modelo do novo emprego. “Queremos garantir um nível mais elevado de qualificação para os portugueses”, disse – o que não passa só pelo ensino superior: habitação, qualidade de vida em termos de creches, e, na generalidade, melhor emprego é o desígnio da política do governo, nomeadamente no que tem a ver com o Conselho de Ministros desta quinta-feira.

Heloísa Apolónia, deputada dos Verdes, visou também, tal como o Bloco de Esquerda e o CDS, a questão da saúde na sua intervenção, tendo questionado o primeiro-ministro sobre contratações de médicos e de enfermeiros. António Costa afirmou que “não há setor onde não faltem recursos”. “Revertemos a política de investimento nos recursos humanos”, recordou.

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, fez regressar ao parlamento a questão das reformas longas que, disse, cria situações como a que apresentou, de uma trabalhadora que no final de 40 anos de contribuição, tinha direito a uma reforma um pouco superior a 200 euros. O primeiro-ministro explicou que continua a trabalhar na sustentabilidade do sistema.

Jerónimo de Sousa regressou ao tema das leis do trabalho – que o partido considera um dos temas de maior dificuldade no diálogo com o Governo – para, alavancado na questão do desenvolvimento tecnológico, perguntar se às competências tecnológicas, se mantêm no radar do Executivo a preocupação social de sustentabilidade do emprego e de recusa da precariedade.

António Costa respondeu que não há bom mercado de trabalho sem boas empresas. Mas recordou que a prioridade das qualificações é uma das formas de subtrair precariedade nos empregos. É esse o pilar social da União Europeia, recordou o primeiro-ministro. “ou nos focamos de forma articulada nos domínios da qualidade e da inovação”, ou não será possível chegar-se a essa revolução tecnológica.

Assunção Cristas quis saber o que pensa António Costa em relação aos novos impostos europeus que o primeiro-ministro disse esta semana que apoiaria – no que tem a ver com o aumento da contribuição do Estado português para o orçamento comunitário. A lider do CDS queria uma quantificação, mas António Costa não a satisfez.

Assunção Cristas questionou o primeiro-ministro sobre matéria de segurança e de investimento nos três ramos das forças armadas. “Nada está em causa” no setor, disse Costa, para quem a questão não se coloca.

Assunção Cristas preocupou-se, como fez Hugo Soares, em puxar para o anterior executivo algumas das boas notícias da economia, mas quis saber também quando é que os 700 médicos especialistas vão ser contratados. Um enigma que se arrasta há meses e que António Costa não esclareceu, dado que já o tinha feito com as perguntas do Bloco de Esquerda.

Assunção Cristas insistiu, mas não demoveu o primeiro-ministro.

Catarina Martins recordou que 50% do negócio da saúde privada em Portugal é pago diretamente pelo Estado, tendo questionado o primeiro-ministro sobre se conta fazer alguma coisa sobre a matéria. Tem o Governo algum objetivo nesta matéria, perguntou. António Costa explicou que o tema da saúde não tem a ver com sistema público ou privado, mas sim com a qualidade. A prioridade é uma boa gestão e um bom serviço do SNS.

Aliás, recordou, nos últimos dois anos, os anos do Governo, aumentaram no sistema não só as consultas mas também as intervenções cirúrgicas. “É melhorando o investimento que podemos oferecer um setor público pelo menos com tão boa qualidade como no setor privado”, disse

Vão ser contratados mais médicos para o Sistema Nacional de Saúde, disse António Costa, sem especificar quando é que isso acontecerá. O Bloco de Esquerda aproveitou para criticar a demora na decisão do governo. António Costa respondeu dizendo que o Bloco conhece a estratégia do Governo: está a ser trabalhada a identificação da melhor altura para a abertura dos concursos para a contratação de novos médicos.

Hugo Soares, ainda líder da bancada social-democrata, quis contextualizar o crescimento, afirmando que foi “poucochinha”. Quanto à inovação, Hugo Soares preocupou-se em afirmar que o PSD já está a trabalhar nessa matéria, e que a OCDE fez fortes críticas à matéria em Portugal.

Quanto ao crescimento do emprego, Soares – que Rui Rio pode estar a preparar-se para ‘despedir’ – afirmou que a Autoeuropa está no caminho da confrontação, por culpa do PCP e do Bloco de Esquerda.

António Costa respondeu dizendo que o crescimento não é de nenhum modo desvalorizável. “Quer mais? Eu também”, disse.

“Aprovamos amanhã a constituição dos primeiros seis laboratórios colaborativos, associando instituições académicas ao setor produtivo”, disse António Costa. estes seis pólos são apenas uma de várias decisões em matéria universitária. O programa Go Portugal vai aproximar as universidades portuguesas de algumas das suas congéneres mais importantes, como a MIT. Costa quer, por outro lado que a educação universitária atinja níveis de 60%.

Reforçar a capacidade de investigação, apostar na inovação empresarial e na qualificação dos recursos humanos são as prioridades avançadas pelo primeiro-ministro António Costa para o horizonte imediato. Por isso mesmo, o conselho de ministro de amanhã irá debruçar-se inteiramente sobre estas questões, “aprovando uma nova estratégia de inovação para Portugal em 2018-2030, com metas claras: atingir um investimento global em investigação e desenvolvimento de 3% do PIB até 2030, dos quais dois terços corresponda a despesa da iniciativa privada”, disse o primeiro-ministro.

Num debate quinzenal marcado pelas questões económicas, o dia está a correr bem ao governo: o crescimento económico anunciado para 2017 é de 2,7%, “em convergência com a Europa pela primeira vez desde a adesão ao euro”, alicerçado nas exportações (mais 10% em 2017, com especial destaque para a indústria, que cresceu 14,7%.

Portugal ganhou quota de mercado em países com economias sofisticadas e houve um forte crescimento de 5,5% no investimento empresarial e no investimento direto estrangeiro, que subiu 7%, Um crescimento saudável, disse António Costa, com a melhoria da vida dos portugueses: mais 6.8% de aumento de rendimento. Maior crescimento do emprego.

 

Ler mais

Recomendadas

Jerónimo de Sousa: “Estados de emergência vão levar milhares ao desemprego”

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou este sábado em Almada que as “vagas sucessivas de estados de emergência” não são resposta eficaz para travar a propagação da Covid-19 e vão lançar milhares de trabalhadores para o desemprego.

Zona Franca da Madeira: Bloco diz que decisão de Bruxelas põe em causa a capacidade da Autoridade Tributária nacional e regional de exercerem fiscalização

O Bloco quer ouvir com urgência no Parlamento o Governo depois de Bruxelas concluir que a “aplicação do regime de auxílios da Zona Franca da Madeira em Portugal” não cumpre as regras europeias. O BE deixa críticas à falta de fiscalização por parte da Autoridade Tributária central e da AT da Região Autónoma da Madeira. “A Zona Franca da Madeira continuou a ser utilizada para esquemas de planeamento fiscal agressivo”, disse a deputada Mariana Mortágua. Governo regional e a sociedade que gere a Zona Franca discordam das conclusões de Bruxelas.

Personalidades JE: Aníbal Cavaco Silva – Dez anos Presidente depois de uma década de Cavaquismo

Foi pela mão de Sá Carneiro que Cavaco Silva entrou na vida política “e foi nele que procurei inspiração no exercício das funções de Primeiro-Ministro”, como referiu na apresentação do seu último livro. Deixa para a história uma obra mais marcante nos dez anos em que liderou o Governo, nos quais viabilizou em Portugal investimentos tão relevantes como a Autoeuropa, a barragem do Alqueva ou a revitalização urbanística da Expo98. Depois do “Cavaquismo” foi Presidente da República durante outros 10 anos.
Comentários