António Saraiva questiona baixa contratualização das linhas de crédito Covid por parte da CGD

A CGD só contratou 8% das linhas. O BCP contratou 42%. Das 43.830 mil candidaturas, apenas uma parte recebeu o dinheiro, disse o presidente da CIP adiantando que nesta altura dos 6,2 mil milhões da linha Covid apenas está contratado 1,316 mil milhões, ou seja, só 20%.

Cristina Bernardo

O presidente da CIP, António Saraiva, disse, no programa Negócios da Semana da SIC Notícias, que “há bancos que já contratualizaram 42% das linhas protocoladas [garantidas em 80% e 90% pelo Estado] e outros, nomeadamente o banco público, que só contratou 8%”.

“As empresas que tiverem relações exclusivamente com os bancos que até agora só contratualizaram 8% das linhas estão obviamente prejudicadas”, realçou António Saraiva.

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) diz que vai fazer a pergunta ao Governo na próxima reunião da concertação social.

António Saraiva detalhou que o banco que já contratualizou 42% das linhas de crédito Covid- 19 é o Millennium BCP.  O Santander Totta contratualizou 16%, o Novo Banco 13% e a Caixa Geral de Depósitos apenas 8%.

A Confederação Empresarial de Portugal indicou que estão usados “pouco mais de mil milhões de euros dos 6,2 mil milhões de euros [que a linha] ainda tem disponível”, referindo-se ao instrumento de apoio às empresas lançado pelo Governo para combater os impactos da pandemia de covid-19.

O Governo começou por converter a Linha de Crédito Capitalizar 2018 numa linha Covid, que acabou por ter um valor de 400 milhões e que esgotou.

Depois, o Governo lançou as linhas Covid-19. Hoje essas linhas têm uma dotação global de 6,2 mil milhões de euros.

A Linha de Apoio à Economia Covid-19 permite às empresas portuguesas, dos setores mais afetados pelas medidas de caráter extraordinário adotadas para conter a pandemia do novo coronavírus, financiarem em melhores condições de preço e de prazo, as suas necessidades de tesouraria.

Das 43.830 mil candidaturas, apenas uma parte recebeu o dinheiro, disse António Saraiva que adiantou que nesta altura dos 6,2 mil milhões da linha Covid apenas está contratado 1,316 mil milhões, ou seja, só 20%.

“As empresas precisam, mas o apoio não chega”, diz o presidente da CIP no programa da SIC.

As linhas são garantidas a 80% a 90% pelo Estado. O Estado prestou garantias de 5.000 milhões através das Sociedades de Garantia Mútua.

Os bancos convidaram as empresas de melhor risco para concorrerem às linhas e as que precisavam mais concorreram depois, disse João Vieira Lopes, Presidente da Confederação do Comércio e Serviços, que também participou no programa.

A banca está com aversão ao risco, disse António Saraiva que explicou ainda a complexidade do processo burocrático.

As linhas protocoladas demoram a chegar às empresas, disse o presidente da CIP. “Desde logo a candidatura é muito burocrática”. O processo de candidatura tem 100 páginas e são exigidos 17 procedimentos, o que afasta da linha da frente as microempresas.

“Cada candidatura tem 100 páginas, tem 17 procedimentos, dos quais 13 são redundantes, porque o Estado já tem essa informação. As micro e pequenas empresas, que são a generalidade deste país, quando confrontadas com esta burocracia, sentem-se aflitas. Isto perante uma situação em que lhe fecharam as empresas”. Estas medidas servem para garantir os seus postos de trabalho que é o grande objectivo quer do lay-off quer das linhas.

Algumas empresas estão equacionar se vale a pena contrair dívida em cima de dívida, perante uma situação de incógnita perante o futuro, disse ainda.

Por sua vez o presidente da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME) que também participou no debate, falou da complexidade da legislação, “já vai em perto de 200 decretos-lei nestes dois meses”. Jorge Pisco salientou que todas as medidas implementadas pelo Governo têm uma medida travão que deixa de fora centenas de empresas.

Sobre o lay-off simplificado que o Governo estimou que custaria 1.000 milhões de euros por mês, Saraiva disse que até agora não chegou a 300 milhões.

Ler mais
Recomendadas

PremiumISQ vai investir mais de um milhão de euros no fabrico aditivo (3D)

Pedro Matias, presidente da empresa, anuncia que vai ser criado um Laboratório de Manufatura Aditiva, que será único em Portugal.

Salas de cinema registam quebras na ordem dos 96% em julho

Segundo os dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual, as salas de cinema nacionais receberam no último mês cerca de 78 mil espectadores, o que traduz uma quebra de 95,6% comparativamente à audiência em 2019,

PremiumRisco de continuidade do negócio é o mais relevante para as empresas

Um estudo da MDS revela que a possibilidade de recuperação em ‘V’ é, do lado das empresas, uma miragem: um a três anos é o tempo mínimo esperado de regresso à atividade pré-pandemia.
Comentários