Antonoaldo Neves: Quem vai pagar os prejuízos da TAP com a suspensão de 90 dias nos voos para a Venezuela?

A suspensão da TAP nos seus voos para a Venezuela representam prejuízos de pelo menos 10 milhões de euros, referiu o presidente executivo da TAP no final da conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2019.

António Pedro Santos/Lusa

Quem vai pagar a conta dos prejuízos que a TAP vai ter com a suspensão de 90 dias nos voos para a Venezuela? Esta foi uma das questões que o presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves, deixou em aberto esta quinta-feira, no final da apresentação de resultados da companhia relativos a 2019. Estes 90 dias de suspensão da TAP nos seus voos para a Venezuela representam prejuízos de pelo menos 10 milhões de euros, relacionados com os problemas decorrentes da companhia estar impossibilitada de assegurar os dois voos semanais para este destino.

“Eu não sou político e não sei quem paga estes prejuízos, mas sei que assim se torna difícil programar a atividade da TAP e apresentar resultados positivos, porque se somarmos a esta parcela de 10 milhões de euros outras tantas relacionadas com problemas alheios à empresa torna-se difícil ter resultados positivo”, referiu o gestor perante os jornalistas, na sede da TAP, em Lisboa.

O CEO da TAP considerou na altura que este problema da suspensão de voos para a Venezuela tem uma repercussão negativa na marca TAP e também tem diversas consequências para o país. Antonoaldo Nevez adiantou que a TAP cumprirá o que foi determinado pelo regulador mas considera que agora é “o momento de proteger os passageiro”.

Para a gestão da TAP, a situação imprevista determinada por uma suspensão dos voos para a Venezuela é um exemplo que dificulta a concretização de metas e a possibilidade da empresa atingir o seu “objetivo de apresentar lucro”, comentou Antonoaldo Neves.

Trata-se de um problema vivido pela TAP, com contornos políticos difíceis de salvaguardar, depois de, na segunda-feira passada, o ministro dos Transportes da Venezuela, Hipólito Abreu, ter anunciado a decisão de suspender os voos da TAP para o seu país, durante 90 dias, depois de Juan Guaidó ter feito um voo de regresso à Venezuela que implicou a detenção do seu tio, por alegadamente trazer explosivos a bordo. Na sequência deste incidente, o Governo venezuelano acusou a TAP de ter violado “padrões internacionais” por, eventualmente, ter permitido o transporte de material explosivo a bordo de um avião da sua frota, supostamente ocultando o nome de Juan Guaidó da lista de passageiros do voo de regresso a Caracas.

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