ANTRAM: Greve dos motoristas “vai ter um impacto muito maior no país do que para as empresas do setor”

“Isto não é uma guerra para ver quem ganha ou quem perde”, garante o porta-voz da ANTRAM, mas “o país, as empresas que sofrem diariamente com o impacto das relações laborais que têm e os trabalhadores que já não vão ter os aumentos para 2020” são os derrotados da greve.

A Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) voltou hoje a reunir-se com a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), afeta à CGTP, que não vai aderir à greve marcada para 12 de agosto.

O porta-voz da ANTRAM, André Matias de Almeida, falou com os jornalistas antes da reunião com a FECTRANS. Questionado sobre uma potencial vitória para os patrões, André Matias de Almeida afirma que “a situação a que chegámos, está muito longe de ser qualquer vitória para os patrões”.

De momento, fala-se “de um processo negocial, que foi rompido pelo Sindicato das Matérias Perigosas (SNMMP) sem qualquer justificação” mas também de “uma greve aos portugueses porque o impacto que terá no país será muito maior do que para as empresas do setor”, estando muito longe de ser uma vitória, “uma vez que os portugueses terão a partir de segunda-feira um grande impacto, caso esta greve se venha a materializar, apesar dos serviços mínimos que foram decretados”.

Apesar de não existir sinais de que a greve venha a ser desconvocada por parte do SNMMP, que vai avançar com uma queixa para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem contra o Estado português, a ANTRAM apelou ao sindicato das matérias perigosas “para que numa postura de humildade, recue e dê um passo atrás”.

O porta-voz sustentou que “nunca ficou mal a ninguém, na História, dar um passo atrás” e voltar a negociar algo que rasgou. Para a ANTRAM, o sindicato deveria voltar a negociar “os protocolos que foram assinados por todas as entidades, no dia 17 de maio”, e “honrar aquilo que assinou, como a ANTRAM tem vindo a fazer”.

Ainda que sublinhe que “ninguém está a pôr em causa o direito à greve”, André Matias de Almeida sustenta que se trata de “uma greve desajustada, que não tem justificação e que é contrária àquilo que foi assinado”. “A humildade de um sindicato de reconhecer um erro e voltar atrás, não o coloca na mesa das negociações de forma diminuída perante a ANTRAM”, sublinha o porta-voz, afirmando que a desconvocação da greve coloca o sindicato em “pé de igualdade com os outros sindicatos”.

“Isto não é uma guerra para ver quem ganha ou quem perde”, garante André Matias de Almeida. “Neste momento já há derrotados”, afirmando que o país, “as empresas que sofrem diariamente com o impacto das relações laborais que têm” são dois deles. Mas o principal derrotado para a ANTRAM são “os trabalhadores que já não vão ter os aumentos para 2020”, uma vez que os trabalhadores filiados ao sindicato não aderiram ao contrato coletivo de trabalho proposto.

Em relação à impugnação dos serviços mínimos, a ANTRAM garante que “é um direito que assiste ao sindicato”, ainda que “esse mecanismo esteja completamente votado ao insucesso”, porque “aquilo que o Governo fez foi, apenas e somente, subir 10% dos serviços mínimos do que foi a greve de abril”, que ainda está presente na cabeça dos governantes e dos portugueses.

A posição do Governo em subir os serviços mínimos foi “socialmente responsável” para os patrões. De acordo com o porta-voz da ANTRAM, “seria completamente irresponsável, de qualquer Governo, a meio do mês de agosto, não decretar os serviços mínimos e a crise energética”.

A negociar com a FECTRANS, André Matias de Almeida declarou que o acordo com este sindicato “poderá chegar a bom porto brevemente”. “O que a ANTRAM pretende fazer com a FECTRANS é provar a estes trabalhadores, que estão afiliados ao sindicato e aos que são independentes, que podem aderir a este contrato coletivo de trabalho e que terão melhores condições para 2020”.

A criação de um grupo de trabalho pronto a negociar “representa algo muito importante neste país”, no que toca às cargas e descargas, tempo de espera e as condições de trabalho que serão negociadas para melhorar. Este grupo terá 90 dias para apresentar as conclusões ao Governo, segundo aponta o porta-voz da ANTRAM.

Nas declarações aos jornalistas, André Matias de Almeida esclarece que na reunião vão “trabalhar com duas balizas: a primeira é reconhecer o que deve ser feito para melhorar as condições de vida destes trabalhadores, e a segunda é a capacidade que estas empresas têm de pagar até um determinado limite”, que foi ultrapassado no pedido feito pelo SNMMP “que não olha a meios para atingir os seus fins”.

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