Após oito anos de austeridade, Bruxelas aprova OE da Grécia sem cortes nas pensões

O governo grego pretende superar as metas de excedente primário pelo quinto ano consecutivo para estar em posição de evitar a implementação de medidas de austeridade acordadas com os credores.

Yves Herman / Reuters

A União Europeia aprovou o primeiro Orçamento do Estado da Grécia pós-troika, sem a implementação de novos cortes nas pensões, segundo anunciou este sábado o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.

“A Comissão Europeia aprovou o orçamento grego sem cortes nas pensões, depois de oito anos de austeridade”, disse Alexis Tsipras, referindo que o desenvolvimento foi um “sucesso” para o país, de acordo com a agência Reuters.

O terceiro programa de resgate internacional do país terminou em agosto, numa data histórica para o país e para a zona euro, após oito anos de resgates. O governo grego pretende superar as metas de excedente primário pelo quinto ano consecutivo para estar em posição de evitar a implementação de medidas de austeridade acordadas com os credores.

O país europeu mais penalizado pela crise, a Grécia saiu da recessão em 2013 e tem estado em recuperação económica, sendo que, na quarta-feira passada, soube-se que a economia grega cresceu mais que o esperado em 2017.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país expandiu 1,5% em 2017, face ao ano anterior, segundo o gabinete de estatísticas grego, Elstat, que reviu os dados em alta de 0,1 pontos percentuais face à estimativa que tinha sido anunciada em março.

Face às características únicas da (tripla) assistência prestada ao país, e às fragilidades que a economia ainda revela, a Grécia continua sob vigilância pós-programa reforçada da troika, com missões de três em três meses, para garantir que Atenas prossegue, nesta nova era pós-resgates, uma política orçamental prudente.

No quadro do terceiro programa de apoio à estabilidade à Grécia, foi concedido a Atenas um total de 61,9 mil milhões de euros de empréstimos. No conjunto dos três resgates pedidos, foram concedidos à Grécia desde 2010 um total de 288,7 mil milhões de euros de empréstimos (256,6 mil milhões de euros provenientes dos seus parceiros europeus e 32,1 mil milhões do Fundo Monetário Internacional, FMI).

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