Arquiled vai reforçar a internacionalização a partir da Colômbia

A empresa reclama uma quota de cerca de um terço da iluminação pública em Portugal, mas a grande aposta para o presente ano passa por um processo de internacionalização na América Latina.

A Arquiled, uma empresa portuguesa produtora de equipamentos de iluminação com tecnologia LED vai mais que duplicar o seu volume de negócios entre 2016 e 2018 e prepara-se para reforçar a sua vertente de internacionalização, em particular nos mercados da América Latina. Em entrevista ao Jornal Económico, Miguel Allen Lima, CEO da Arquiled, revelou que a faturação da empresa com sede e fábrica em Mora, Alto Alentejo, se fixou em 7,4 milhões de euros em 2017, sendo o objetivo do volume de negócios para o presente exercício atingir os 10 milhões de euros. Estes valores comparam com uma faturação de 4,4 milhões de euros em 2016.

Quanto à vertente de internacionalização, Miguel Allen Lima adianta que, “quanto à aposta na Colômbia, resultou de um estudo mais profundo que fizemos, numa abordagem de tentativa e erro”. Este responsável sublinha que, neste momento, a exportação da Arquiled vale menos de um milhão de euros. “Mas estamos a crescer bastante nesta vertente e esperamos continuar a crescer. Uma das nossas apostas para 2018 é abrir um escritório em Bogotá, Colômbia”, revela.

“A partir da Colômbia, estamos a ver as oportunidades de expandirmos o nosso negócio em mercados como o Peru, o Chile e o Brasil. Começámos a visitar esses países com esta intenção. E vimos que a Colômbia era o mercado com mais apetência para este tipo de solução. É um mercado com dimensões semelhantes a Portugal e já várias empresas portuguesas estão presentes na Colômbia”, explica Miguel Allen Lima.

O CEO da Arquiled acrescenta que “temos uma rede de contactos que nos permite arrancar com mais confiança neste ano de 2018 e que, se tudo correr bem, será a nossa base de operações para toda a América do Sul, incluindo o Equador, que pode ser outro mercado interessante”.

No que respeita ao mercado brasileiro, Miguel Allen Lima sublinha que as empresas europeias do setor, ou mesmo mundiais, têm um problema grave devido às barreiras alfandegárias. “Uma luminária que sai daqui a 100 euros chega lá quase a mil reais, cerca de 350 euros, devido às pautas aduaneiras aplicadas pelo governo brasileiro”, acusa o CEO da Arquiled.

“Ou se resolve esta questão ou teremos de abrir uma fábrica no Brasil. É uma decisão que teremos de ponderar ao longo deste ano”, admite Miguel Allen Lima.

Além da América Latina, a Arquiled também está a estudar oportunidades de negócio nos PALOP – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. “Existem muitas oportunidades nos PALOP, que estão muito atrasados em termos de tecnologia LED. O problema é que neste momento, na sua grande maioria, ainda são economias arrefecidas”, adverte o CEO da Arquiled. Na frente internacional, a empresa tem garantido vendas em Cabo Verde e outros contratos no Egito, Chipre e Alemanha, além de fazer algum trabalho em Espanha, um mercado que será sempre servido a partir de Portugal. Daí que a expetativa de Miguel Allen Lima seja fechar o presente ano com mais de um milhão de euros em vendas no exterior.

O CEO da Arquiled destaca que cerca de 90% da faturação da empresa deriva do segmento de iluminação pública. A restante parcela do negócio resulta da venda de dimmers, produtos da marca Quadrant que Arquiled já vende há mais de 10 anos e servem para controlar iluminação cénica, estando nas régies de televisões e teatros. Foi esta a origem da Arquiled, num mercado muito especializado, onde a grande maioria dos negócios da linha são efetuados com clientes internacionais.

Na questão da iluminação pública, Miguel Allen Lima sublinha a vantagem do investimento em iluminação LED. “É seguro que quem o fizer vai ter rentabilidade assegurada. Se, por exemplo, investir um milhão de euros em sistemas de iluminação LED vai ter 40% de rentabilidade. É claro que poucos municípios têm essa capacidade financeira, mas para aqueles que a têm é um negócio fantástico”, defende o CEO da Arquiled.

Miguel Allen Lima dá como exemplos de clientes da Arquiled as autarquias de Lisboa, Porto, Valongo, Vouzela, Cuba, Aljustrel, Cascais, Leiria, além de clientes privados como a EDP Distribuição, o IKEA ou a Jerónimo Martins.
“Estamos a falar de produtos com base em engenharia e design portugueses, com a realização de testes locais em Portugal”, realça o responsável da Arquiled, adiantando que, até à data, a poupança que os equipamentos da empresa permitiram aos seus clientes foi de eliminar a emissão de 3.345 toneladas de CO2 para a atmosfera, um número que vem em crescendo: 62 toneladas de emissões de CO2 poupadas em 2014, 723 em 2015 e 1.832 em 2016.
“A Arquiled tem até ao momento mais de 100 mil luminárias LED instaladas, representando um terço da quota de mercado da iluminação pública, em Portugal”, sublinha Miguel Allen Lima. A Arquiled nasceu em 2005, tendo origem em pessoas ligadas à encenação de teatro. Os seus acionistas são dois fundos de capital de risco, o Revitalizar Sul, gerido pela Capital Criativo; e a EDP Ventures – Fundo de Investimento da EDP para a Inovação; e dois acionistas minoritários Climar e ArquiCapital SGPS.

Entrevista publicada na íntegra edição digital do Jornal Económico. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão

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