As incertezas globais afetam todas as indústrias e geografias

Podem as incertezas mundiais ser resolvidas com seguros de crédito às exportações? A questão é pertinente e o tema é cada vez mais relevante perante o aumento do risco-país a nível mundial. Vamos conhecer os riscos.

O risco-país aumenta perante economias que marcam passo, perante incertezas políticas em diversas geografias e perante o tema da disrupção tecnológica. Podem ser oportunidades, mas no imediato são riscos.

Ter um modelo que assegure que um risco está coberto é crucial para manter a estabilidade das empresas e antecipar investimento e decisões estratégicas.

Um estudo recente da seguradora Allianz relativo a 2019 e intitulado “Barómetro de Risco Allianz 2019” elenca os dez riscos que preocupam os empresários portugueses. E o primeiro refere-se à interrupção de negócio, incluindo a interrupção de cadeias de fornecimento. Mas há também o risco de incidentes cibernéticos, que inclui violação de dados, a par da volatilidade do mercado e do aumento da concorrência, e ainda as alterações legislativas, as novas tecnologias e as alterações climáticas. Um recente trabalho divulgado na conferência anual do grupo segurador francês Coface – realizada em Paris – vai ao pormenor de identificar riscos políticos e setores. O “dedo na ferida” foi colocado pelo economista-chefe deste segurador, Julien Marcilly, que afirmou na mesma conferência que para as empresas há dois embates simultâneos, algo que não acontecia desde a crise da dívida soberana de 2011/2012 e que é o abrandamento cíclico e os riscos políticos”. E a Europa é fértil na parte das incertezas políticas. Comecemos pelo mais emblemático, que é o Brexit, e onde hoje todos suspiram de alívio perante a possibilidade de adiamento da saída do Reino Unido da União Europeia, em 2021. No entanto, é a data de 12 de março a mais relevante com a chefe do governo britânico, Theresa May, a continuar a indicar 29 de março (!) como data de saída. Estamos apenas a quatro semanas do evento e ainda nada aconteceu em termos de acordos. Pelo contrário, o tema tornou-se um verdadeiro risco com empresas multinacionais a desistir de investimento estratégico a longo prazo.

Mas há outros riscos políticos com impacto em toda a Europa, como o tema italiano, que, apesar do acordo entre o governo deste país e a CE, que foi obtido em dezembro, os riscos a que os bancos italianos estão sujeitos continuam excecionalmente elevados. Podemos ver isso no impacto ao nível da dívida pública italiana e nas yields das obrigações soberanas, mas também das obrigações corporativas. Em França, o movimento social que se tornou um movimento político, os chamados “coletes amarelos”,  está longe de estar pacificado.

Mais. A União Europeia registou, em termos médios, cinco anos consecutivos de crescimento acentuado, com a quebra de um terço do nível de desemprego e, ainda assim, o resultado foi claramente insuficiente para impedir o surgimento de partidos de extremos, com destaque para a extrema-direita com visões claramente anti-europeístas. E o impacto destas iniciativas será bem visível nas eleições europeias de maio próximo. Os analistas da Coface afirmam que o resultado pode ser um Parlamento Europeu (PE) fragmentado com um grande número de deputados anti-Europa. Outros analistas acreditam que os partidos do “miolo” do poder poderão definhar para emergirem no PE novas forças políticas e novas famílias ideológicas ligadas aos extremos.

Os analistas da Coface recordam ainda que o PE tem poderes não negligenciáveis, até porque dá o aval ao orçamento da União Europeia. É claro que existe risco de obstrução, mas é pouco provável que os eurocéticos da Europa central e oriental bloqueiem o orçamento no qual os respetivos países são os principais beneficiários. E não nos esqueçamos que a Comissão Europeia terá novos membros em outubro próximo e que o PE Europeu poderá votar uma moção de censura perante o novo figurino político. Embora esta moção de censura obrigue a uma maioria de dois terços dos deputados, não é de excluir o risco.

Ler mais
Recomendadas

‘Vistos Gold’: controlos em Portugal “não são suficientes”, diz Transparency International

Para Laure Brillaud, a especialista no combate à corrupção e lavagem de dinheiro, os principais riscos deste tipo de esquemas de atribuição de vistos de residência para além da falta de controlos, é também a má gestão dos processos que acaba por arrastar os Estados europeus para situações de corrupção dentro dos próprios Governos.

Fitch descarta cenário de recessão da economia mundial

“Apesar da acentuada deterioração do crescimento, não vemos o início de uma recessão global”, refere um relatório da equipa de economistas da Fitch, que reviu em baixa as projeções de crescimento para 2019 e 2020.

Reserva Federal vai abrandar redução do balanço a partir de maio

O Federal Open Market Committee (FOMC) anunciou, no final da reunião de dois dias esta quarta-feira, que pretende “abrandar a redução do seu ‘stock’ de ativos do Tesouro ao reduzir o limite das amortizações mensais do atual nível de 30 mil milhões de dólares para 15 mil milhões a partir de maio de 2019”.
Comentários