Associação das Bebidas Espirituosas defende reabertura dos bares para evitar aglomerações espontâneas

A medida deve ser encarada como um importante travão e elemento dissuasor dos comportamentos de grupo identificados, permitindo que os jovens e a população em geral convivam e socializem num ambiente controlado, segundo a ANEBE.

Charles Platiau/Reuters

A ANEBE – Associação das Bebidas Espirituosas defendeu esta terça-feira a reabertura de bares para evitar aglomerações informais e prevenir novos focos de infeção por Covid-19.

Nesse sentido, a associação solicitou uma reunião às autoridades de saúde para apresentar contributos que permitam salvaguardar a saúde pública acrescentando que o consumo de bebidas alcoólicas em excesso pelos jovens é outra das preocupações e prioridades de ação.

“A ANEBE tem procurado colaborar, desde a primeira hora, com o Governo, no sentido de encontrar medidas que permitam ao país ultrapassar o estado de confinamento e observar, em simultâneo, o primado da saúde pública”, salienta um comunicado da associação.

De acordo com este documento, “nas últimas duas semanas têm vindo a público notícias do aumento de festas ilegais e de aglomerações de jovens com consumo de bebidas alcoólicas”. “Esta situação levanta preocupações óbvias não só para as autoridades, mas para toda a comunidade. A ANEBE não é alheia a esta preocupação”, admitem os responsáveis da associação.

No entender da ANEBE, “a evolução da situação epidemiológica, especialmente na Área Metropolitana de Lisboa, indica que para além dos focos de novas infeções observados nos lares de idosos, áreas industriais e de logística, a coorte de idades são os jovens, especialmente adolescentes”.

“Neste contexto, defendemos a abertura dos estabelecimentos de venda de bebidas, como bares e discotecas. Esta medida deve ser encarada como um importante travão e elemento dissuasor dos comportamentos de grupo identificados, permitindo que os jovens e a população em geral convivam e socializem num ambiente controlado – com segurança, com normas e com medidas de higienização – e em respeito pelos preceitos de saúde pública”, adianta o referido comunicado.

Para estes responsáveis, “o consumo de bebidas alcoólicas em excesso é uma das maiores preocupações e prioridades de ação da ANEBE e de toda a indústria das bebidas espirituosas”.

“Acresce que estes fenómenos de aglomeração de jovens e/ou as festas ilegais que estão a acontecer um pouco por todo o país levantam grandes preocupações de saúde pública”, alerta a direção da ANEBE, adiantando que, “(…) observamos a inexistência de controlo do consumo de bebidas alcoólicas por menores de idade”.

“Em festas ilegais ou em aglomerações informais não é possível estabelecer qualquer ação de bloqueio do consumo de álcool por parte dos adolescentes. Por outro lado, só em ambiente controlado como num bar, restaurante ou discoteca se consegue dissuadir, de forma pedagógica, os comportamentos abusivos e nocivos do consumo”, explicam os responsáveis da ANEBE.

Assim, “a ANEBE defende que o desenvolvimento de normas para o funcionamento dos bares e discotecas, como forma de prevenção e fomento da saúde pública, devem ser desenvolvidas em ambiente de cooperação entre o poder político e as autoridades de saúde e as associações e movimentos do sector, razão pela qual já solicitou uma audiência à Direção-Geral de Saúde para exposição de argumentos e contributos que permitam salvaguardar a saúde pública”.

“A ANEBE acompanha, desde a primeira hora, a situação epidemiológica do país em resultado da pandemia de Covid-19. A forma como o Governo e os portugueses atuaram durante o confinamento foi essencial para manter controlar o número de novas infeções e para manter a resposta do nosso Serviço Nacional de Saúde, possibilitando assim o desconfinamento faseado. Neste contexto, salientamos o contributo essencial que o canal Horeca – bares, restaurantes e discotecas – teve na contenção da pandemia no nosso país, ao assumir, proativamente, o encerramento da sua atividade antes mesmo da declaração do estado de emergência”, conclui o referido comunicado.

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