“Insulto ao setor”: Associação de Discotecas do Sul e Algarve critica decisão do Governo para reabertura de estabelecimentos

O presidente da Associação de Discotecas do Sul e Algarve apontou que “não há hipótese de competir [com os restaurantes], a discoteca não foi feita para competir com restaurantes, nem faz sentido”.

Charles Platiau/Reuters

A abertura de bares e discoteca foi autorizada, mas não nos moldes esperados pelo setor. Para manter as portas abertas, os bares vão ter de funcionar como pastelarias ou cafés. Liberto Mealha, presidente da Associação de Discotecas do Sul e Algarve, apontou ao Jornal Económico que a decisão do Governo foi um “insulto ao setor”.

“Isto é um insulto ao setor, nunca poderíamos voltar desta forma”, garante Liberto Mealha. “E estarem a considerar que isto são associações recreativas e que a gente começa a fazer as matinês infantis, está fora de questão”, completa.

Liberto Mealha também é dono da discoteca Kiss no Algarve e assegura que não vai abrir o estabelecimento, assim como “a maior parte dos colegas”. “Estão a alterar completamente o conceito da atividade e depois com este horário é completamente inviável”.

A 30 de julho, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva anunciou que “Os bares e discotecas continuam encerrados, aquilo que se permite é que os bares que queiram funcionar como cafés ou pastelarias possam fazê-lo sem alterar a sua atividade, como alguns estavam a fazer”,

Mariana Vieira da Silva também sublinhou que “a abertura enquanto café ou pastelaria é involuntária. Quem possa escolher abrir, passa a estar noutro contexto e a poder beneficiar da medida que aprovamos na passada segunda-feira, além da novo apoio à retoma”, afirmou, referindo se  ao novo regime de apoios.

Por outro lado, aos restaurantes alargou-se “até às 00 horas a possibilidade de acesso ao público” e o encerramento destes estabelecimentos passou para a 01h00.

Segundo o que foi definido no Conselho de Ministros, a 30 de julho, os bares e discotecas deixam de poder funcionar no formato em que existiram até agora. Liberto Mealha refere que “não há hipótese de competir [com os restaurantes], a discoteca não foi feita para competir com restaurantes, nem faz sentido”.

“Mas então agora passamos a cafés? Pastelarias? Vamos vender pastéis de nata? Vamos vender rissóis? Nem estamos preparados para uma coisa dessas”, questiona-se Liberto Mealha.

“Esperteza saloia”

Para o presidente da Associação de Discotecas do Sul e Algarve, a decisão do governo de abrir bares e discotecas como cafes e pastelarias representou “esperteza saloia para estar a acabar com o lay-off simplificado”.

“Os estabelecimentos ao estarem fechados por obrigação do Governo têm direito ao lay-off simplificado, a partir da altura que podem abrir já não têm direito”, lembra Liberto Mealha.

O ministro da Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieria, esclareceu no entanto que “as áreas governativas da Economia e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social informam que os estabelecimentos sujeitos a medida legislativa ou administrativa de encerramento podem continuar a aceder ao designado mecanismo de ‘lay-off’ simplificado”

“O recurso a este apoio continua também válido para estabelecimentos que, continuando encerrados por medida legislativa ou administrativa, possam, com base em outras atividades económicas, retomar parcialmente a sua atividade”, garantiu Siza Vieira, num nota de imprensa, a 31 de julho.

Desta forma “bares, outros estabelecimentos de bebidas sem espetáculo e estabelecimentos de bebidas com espaço de dança que entendam retomar a sua atividade enquanto cafés ou pastelarias, cumprindo as regras vigentes em cada território, poderão continuar a usufruir do mecanismo de ‘lay-off’ simplificado”, explicou o gabinete do ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira.

Ler mais

Relacionadas

Bares e discotecas que retomem atividade podem manter ‘lay-off’ simplificado

O Governo esclareceu que os estabelecimentos encerrados por decisão legal ou administrativa como os bares ou discotecas que decidam retomar a atividade parcialmente funcionando como cafés ou pastelarias podem continuar a recorrer ao ‘lay-off’ simplificado.

Bares e discotecas podem reabrir como cafés ou pastelarias e deixam de ter acesso ao layoff simplificado

Já os restaurantes podem encerrar até à uma da manhã, mas as portas fecham à meia noite. Sobre o layoff simplificado para bares e discotecas, o Governo disse que este regime já não se aplica porque estes estabelecimentos deixam de estar obrigados a ter as portas fechadas, embora em moldes diferentes.

Bares e discotecas vão poder reabrir em todo o país, mas têm de fechar às 20 horas

Segundo o jornal Público, a medida deverá ser hoje aprovada pelo Governo em Conselho de Ministros. As pistas de dança continuam proibidas, mas podem ser ocupadas por mesas, e o exterior destes estabelecimentos poderá ser usado para colocar uma esplanada. Já os restaurante vão poder estar de portas abertas até à meia noite.
Recomendadas

Von der Leyen: Portugal está no bom caminho energético e digital

“Já antes da pandemia, Portugal estava no bom caminho para garantir um cabaz energético mais limpo e uma maior digitalização”, declara a responsável, numa entrevista à agência Lusa na véspera da sua primeira visita oficial a Portugal enquanto presidente do executivo comunitário.

Portugal será importante beneficiário do fundo de recuperação, sublinha Von der Leyen

Em entrevista à agência Lusa na véspera da sua primeira visita oficial a Portugal enquanto presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen afirma que “os cidadãos portugueses lutaram de forma muito corajosa e disciplinada contra o vírus e até têm sido mais bem-sucedidos do que outros”, e podem contar com o apoio da UE, que ajudará igualmente a “impulsionar” a retoma da economia portuguesa.

OE2021: Negociações já têm avanços concretos como novo apoio social – Governo

Segundo o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, isto revela da parte do Governo “uma enorme disponibilidade para negociar” com os partidos à esquerda do PS, com os quais se tem reunido, para, “em torno destas propostas e de outras, concretizar um entendimento para o Orçamento do Estado” para 2021.
Comentários