Associação Humana recolheu 3.400 toneladas de roupa usada em Portugal em 2019

Os têxteis em segunda mão recuperados no ano passado por esta associação sem fins lucrativos equivalem a uma poupança de emissões de 10.775 toneladas de CO2 [dióxido de carbono] para a atmosfera, o mesmo que a emissão anual de 4.047 carros (que circulem 15 mil quilómetros por ano) ou a absorção de CO2 por parte de 80.407 árvores durante um ano.

A Humana Portugal, associação sem fins lucrativos, recolheu no ano passado mais de 3.400 toneladas de roupa usada em Portugal, cerca de sete milhões e 650 mil peças de roupa.

Estes valores correspondem a uma poupança de emissões de 10.775 toneladas de CO2 [dióxido de carbono] para a atmosfera, o mesmo que a emissão anual de 4.047 carros (que circulem 15 mil quilómetros por ano) ou a absorção de CO2 por parte de 80.407 árvores durante um ano.

“A Humana Portugal, associação sem fins lucrativos que trabalha, desde 1998, a favor da proteção do meio ambiente, promovendo a reutilização têxtil e levando a cabo programas de cooperação para o desenvolvimento em África e de apoio local em Portugal, recolheu mais de 3.400 toneladas de têxtil usado em Portugal no ano de 2019. Este valor corresponde a cerca de 7 milhões e 650 mil de peças de roupa que têm uma segunda vida graças à reutilização e à reciclagem”, destaca um comunicado da associação.

De acordo com os responsáveis da Humana, “ao tratar-se de um dos setores mais poluentes do mundo, a moda necessita de soluções sustentáveis para garantir o correto fim do seu ciclo de vida ou, em alterativa, promover a sua reutilização”.

“Considerando que por cada quilo de roupa reutilizado e não incinerado evitamos a emissão de 3,169 quilos de CO2, de acordo com um estudo da União Europeia, é essencial dar destaque ao tratamento dos recursos têxteis como combate às alterações climáticas”, defende o referido comunicado.

Os dados divulgados pela Humana revelam que “os portugueses deitam fora aproximadamente 200.000 toneladas de roupa usada anualmente, parte da qual vai parar aos caixotes do lixo indiferenciados”.

“Apesar de, na sua totalidade, os resíduos têxteis perfazerem cerca de 4% de todos os resíduos produzidos no nosso país, tem se verificado nos últimos anos uma subida do seu volume, devido a uma realidade que não é exclusiva a Portugal, mas comum a todo o mundo ocidental como resultado da ‘fast fashion’ – moda acessível que segue tendências muito efémeras e que, por isso, se torna obsoleta num curto espaço de tempo”, assinala o comunicado da Humana.

Para Filipa Reis, promotora nacional da Humana em Portugal, “é fundamental a consciencialização da população, sobretudo dos mais jovens, já que estará futuramente nas suas mãos a proteção ambiental e este passo só pode ser dado através da educação”.

“O trabalho da Humana desenvolve-se em estrita relação com os municípios para a instalação de contentores que garantem uma segunda vida a cada peça de roupa desperdiçada. A associação terminou o ano [de 2019] com 826 contentores verdes distribuídos por todo o país através de mais de 142 parceiros públicos e privados. Trata-se de um modelo de gestão sustentável dos resíduos que apoia as administrações locais a atingir o objetivo da recolha seletiva de têxteis obrigatória em 2025 por parte de todos os estados membros, imposta pelas diretrizes da União Europeia”, adianta o comunicado em questão.

Filipa Reis defende que “todas as partes implicadas devem redobrar os esforços para aumentar os valores de recolha seletiva, não só para respeitar o objetivo imposto por Bruxelas, mas também para potencializar o benefício ambiental e social da roupa usada”.

A Humana assinala ainda que o serviço de recolha de têxteis é gratuito e representa uma poupança significativa nos gastos de recolha e tratamento dos resíduos urbanos, além de fomentar a economia circular e o emprego verde.

A Humana promove a reutilização e a moda sustentável através da sua rede de lojas de roupa em segunda mão, formada atualmente por dez lojas em Lisboa e cinco no Porto.

“A gestão sustentável dos resíduos têxteis permite-nos obter os recursos necessários para investir em iniciativas sociais. Depois de mais de duas décadas de atividade e graças ao apoio dos parceiros locais, dezenas de milhares de pessoas beneficiaram dos programas de desenvolvimento da Humana nos países do Hemisfério Sul, sobretudo as zonas rurais e com elevados índices de pobreza da Guiné-Bissau e de Moçambique”, salientam os responsáveis desta associação.

Os responsáveis da Humana garantem que, todos os anos, a associação destina fundos para a formação de professores de educação primária, o fomento da agricultura sustentável ou a luta contra o HIV/SIDA, entre outras ações.

“A valorização da roupa permite igualmente criar recursos, que em conjunto com as entidades públicas e privadas com quem estabelecemos parcerias, são destinados a iniciativas de sensibilização e de apoio local em Portugal”, conclui a associação liderada por Filipa Reis.

A Humana Portugal trabalha, desde 1998, a favor da proteção do meio ambiente, promovendo a reutilização têxtil e levando a cabo programas de cooperação para o desenvolvimento em África e de apoio local em Portugal.

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