Associação quer apoiar empreendedores migrantes e refugiados em Portugal

“Já há mais de 420 mil migrantes e 1.600 refugiados dispersos pelo país A informação e a legislação não esta facilmente disponíveis”, afirma Fidélio Guerreiro ao Jornal Económico. A segunda edição da Feira do Empreendedorismo Migrante realiza-se este fim de semana, em Lisboa.

Os empreendedores estrangeiros têm um novo representante em Portugal, que os promete ajudar a escalar pequenas empresas que tenham criado. A Associação Empresarial de Migrantes e Refugiados de Portugal (AEMIREP), fundada em janeiro, pretende criar uma rede de cooperação entre fundações, associações e autarquias e agilizar o processo documental que legalize ou exclua os interessados viver e investir no país num prazo máximo de três meses.

Liderada por Fidélio Guerreiro, esta entidade sem fins lucrativos surgiu de uma exigência concreta de 48 empresas migrantes. “A informação e a legislação não esta facilmente disponíveis pois, já há mais de 420 mil migrantes e 1.600 refugiados dispersos pelo país, com maior concentração em Lisboa, Algarve e Setúbal. Apesar do enorme esforço que o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) tem feito, não é possível responder a tantas solicitações e com tanta dispersão geográfica”, explicou ao Jornal Económico o antigo vice-presidente da AIP – Associação Industrial Portuguesa.

Fidélio Guerreiro também teve o seu percurso enquanto empreendedor. Começou por trabalhar na norte-americana Control Data, mas criou o seu próprio negócio Vervite – Embalagem de Portugal e presidiu à Associação Empresarial da Região de Setúbal e ao Movimento “Pensar Setúbal”. Na sua opinião, as startups fazem parte de uma estratégia bem delineada pelo IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação, que qualifica e avalia as iniciativas oriundas qualquer parte do mundo, no âmbito de uma rede de incubadoras certificadas existentes em todo país.

No entanto, o engenheiro considera que é necessário separar os grandes investimentos de estrangeiros, que “têm tratamentos próprios especializados”, dos pequenos projetos de empresários migrantes e refugiados, onde “existe muita vontade, mas os apoios são completamente insuficientes”. “Não basta integrar e ajudar a fazer projetos. Torna-se fundamental acompanhar os empresários num prazo mínimo de três anos para aumentar o quadro de sucesso das empresas, cujos riscos nesta fase são enormes”, defende, em declarações ao semanário.

A apresentação AEMIREP surge a par com a segunda edição da Feira do Empreendedorismo Migrante, que se realiza este fim de semana (entre os dias 4 e 5 de maio), no Museu de Lisboa. Este ano vão participar 62 empresas de 15 países, com cerca de 100 expositores, e a organização espera que o encontro possa gerar clusters na cultura e artesanato e fomentar a inovação e o uso de novas tecnologias. “A grande atração dos estrangeiros, sejam migrantes ou refugiados, passa pela segurança do país, quarto ao nível mundial e, pela maneira extremamente simpática e acolhedora como são recebidos pelos portugueses”, afirma. O evento é financiado pelo Plano Municipal de Integração de Migrantes 2018-2020 da Câmara Municipal de Lisboa e apoiado pela EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural e Alto Comissariado para as Migrações, entre outras organizações.

Paralelamente, esta semana abriram também as candidaturas ao 6º programa Launch In Lisbon, que ajuda empreendedores estrangeiros a fixarem-se em Portugal. A formação é organizada pela incubadora Startup Lisboa em conjunto com a seguradora Fidelidade e parceiros como a sociedade de advogados PLMJ, as consultoras Deloitte e Moss&Cooper, a empresa de recrutamento Hays e a imobiliária JLL .

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