Associação quer saber quanto custou app anti-Covid e o que a Apple e Google fazem com dados

A aplicação já foi descarregada mais de 50 mil vezes e vai ser apresentada oficialmente hoje. Mas a associação D3 quer saber quais os custos de desenvolvimento e qual o fim que as gigantes tecnológicas vão dar aos dados dos utilizadores.

A Associação D3 – Defesa dos Direitos Digitais quer saber o que a Apple e a Google andam a fazer com os dados da aplicação anti-Covid portuguesa e quais os custos de desenvolvimento da aplicação, e se envolveu dinheiro público.

Esta é uma de várias dúvidas que esta associação tem, no dia em que vai ser lançada oficialmente a aplicação Stayaway Covid.

“Porque não está disponível o código que mostra o que Apple e Google fazem com os dados? Quais têm sido os esforços do Governo para assegurar transparência total por parte destas entidades?”, questionou a D3 em comunicado divulgado esta terça-feira, 1 de setembro.

Ao mesmo tempo, a associação quer saber qual o custo para criar esta aplicação. “Quanto custou o desenvolvimento da app? Há ou não financiamento público no seu desenvolvimento? Onde está o código-fonte do servidor da Stayaway?”.

A aplicação vai ser apresentada oficial esta terça-feira no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), num evento que vai contar com presença do primeiro-ministro, António Costa, do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, e da ministra da Saúde, Marta Temido.

“A gravidade da pandemia impõe que não andemos a brincar às apps. Os recursos existentes devem ser colocados à disposição dos métodos que sabemos funcionar, e não para financiar aventuras tecno-fantasiosas de uma app que virá salvar a situação”, disse em comunicado Ricardo Lafuente da D3.

“Em que se baseia o Governo para afirmar que a Stayaway é uma “ferramenta eficaz”, quando não há dados concretos que demonstrem a eficácia destas apps?”, questiona novamente a D3 uma associação portuguesa sem fins lucrativos, dedicada à “defesa dos direitos fundamentais no contexto digital”, segundo a própria.

A D3 também tem dúvidas sobre o impacto no dia-a-dia das pessoas que receberem um alerta por terem tido um contacto de risco. “Se uma pessoa for notificada, com a app a recomendar o seu isolamento, existe justificação de falta ao trabalho, a um exame, a aulas, a reuniões?”

Por último, a D3 questiona o que “acontece se se concluir que a app não serviu para nada, como as experiências lá fora estão a evidenciar?”.

“Em alturas como esta, temos de aceitar que não virão soluções milagrosas providenciadas pela tecnologia, e devemos antes confiar na eficácia comprovada das medidas já levadas a cabo pela DGS. Podemos e devemos todos fazer a nossa parte, mas não é preciso instalar uma app para isso, apenas seguir as orientações dos organismos de saúde pública”, segundo Ricardo Lafuente.

Num balanço feito pelo Jornal Económico nas primeiras 48 horas em que a aplicação foi disponibilizada, mais de 50 mil pessoas transferiram gratuitamente a Stayaway Covid na loja da Google.  A aplicação é atualmente a mais popular na loja portuguesa de aplicações Google Play.

A app anti-Covid também está em destaque na Apple Store. Na loja portuguesa da Apple a aplicação é a primeira entre as aplicações de medicina e também lidera o ranking de transferências das apps grátis.

 

Mais de 50 mil pessoas já descarregaram a app anti-Covid em 48 horas

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