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Atividade empresarial moçambicana recua em agosto após maior subida em dois anos

Uma nota divulgado pelo Standard Bank salienta ainda que os prazos de entrega dos fornecedores “diminuíram de forma acentuada e os ‘stocks’ voltaram a diminuir”, em agosto, apesar das “aquisições de meios de produção terem aumentado pela primeira vez desde abril”.
4 Setembro 2025, 17h30

A atividade económica em Moçambique recuou em agosto, após o maior crescimento dos últimos dois anos em julho, apesar de registar subidas na produção, novas encomendas e emprego, segundo um índice, divulgado pelo Standard Bank.

“As empresas em Moçambique continuaram a registar um aumento da atividade do setor privado em meados do terceiro trimestre do ano (…). No entanto, a taxa de crescimento da atividade abrandou o ritmo em relação ao nível mais elevado dos últimos dois anos registado em julho”, lê-se no estudo.

O documento salienta ainda que os prazos de entrega dos fornecedores “diminuíram de forma acentuada e os ‘stocks’ voltaram a diminuir”, em agosto, apesar das “aquisições de meios de produção terem aumentado pela primeira vez desde abril”.

O banco acrescenta que os “preços de venda subiram durante o mês de agosto”, num “contexto de aumentos mais rápidos dos custos de aquisição e das despesas salariais”.

O índice PMI (Purchasing Managers Index, em inglês) tinha subido de 49,1 em junho para terreno positivo em julho, com 50,7, mas em agosto voltou a cair para valores negativos, 49,9.

Indicadores do PMI acima de 50 pontos apontam para uma melhoria nas condições das empresas em relação ao mês anterior, enquanto indicadores abaixo desse valor mostram uma deterioração.

“A recuperação na produção foi a segunda consecutiva em agosto, mas o ritmo de crescimento enfraqueceu significativamente em relação ao máximo dos últimos dois anos registado em julho. A atividade mais forte foi visível nos setores da construção e da agricultura, embora tenha sido amplamente anulada por contrações no setor secundário, nos serviços e no comércio por grosso e a retalho”, aponta o estudo.

O documento refere também que o crescimento da produção em agosto foi associado, de modo geral, “a um aumento do volume de novas encomendas”, com as empresas do painel a referirem “que a melhoria da procura por parte dos clientes e o aumento das quantidades de aquisições impulsionaram as vendas”.

O banco aponta igualmente que o “maior volume de vendas resultou num novo aumento do emprego em agosto”, no caso “a terceira consecutiva e a mais forte em pouco mais de um ano”.

“Paralelamente, as empresas expandiram a sua atividade de aquisição pela primeira vez em quatro meses, o que as ajudou a reduzir as suas encomendas em atraso em relação ao nível de julho”, lê-se no documento.

Citado no estudo, o economista-chefe do Standard Bank, Fáusio Mussá, aponta que o sentimento empresarial “melhorou” no mês passado, “refletindo-se na subida do subíndice do PMI de expectativas empresariais para o futuro, com 42% dos inquiridos a preverem crescimento para os próximos 12 meses”, denotando “expectativas positivas quanto ao progresso dos projetos de Gás Natural Liquefeito (GNL), o que deverá impulsionar a produção”.

“Esperamos que a melhoria do sentimento consolide com o recente acordo entre a Al Mansur Holdings, uma empresa de investimento do Qatar, e o Governo de Moçambique, com um compromisso de investimentos de 20 mil milhões de dólares norte-americanos em setores prioritários, incluindo a agricultura, as infraestruturas, o turismo, e o petróleo e gás”, refere Mussá.

O economista aponta que a concretização do investimento do Qatar “deverá contribuir para atenuar os desequilíbrios entre a oferta e a procura de divisas, assim como para satisfazer algumas das necessidades do governo em matéria de despesas de investimento”, mas alerta que os prazos “ainda não são claros”.


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