A inclusão de género é algo que a consultora de comunicação LLYC tem muito em conta nos dias que correm. No entanto, não é só por as mulheres estarem em maior número ou por terem o dom de gerar vida que a agência as valoriza. É o bom profissionalismo e o talento (tal como o há nos homens).
A consultora de origem espanhola iniciou o ano a nomear Marlene Gaspar como diretora-geral da LLYC Portugal, substituindo Tiago Vidal no cargo.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Económico, o sócio e CEO para a Europa, Luís Miguel Peña, assume que a equipa global da consultora é “composta, maioritariamente, por mulheres”. “Globalmente, 60% da equipa são mulheres”.
Sobre a sua promoção, Marlene Gaspar admite que desde que está na empresa, há seis anos, sempre sentiu a inclusão de género. “Nunca senti discriminação. Como não senti que [esta promoção] aconteceu por eu ser mulher. Isso é muito importante porque não estamos a cumprir quotas”, ressalva.
Ainda sobre a sua subida a diretora, Marlene assegura que se sente bem. “Sinto-me muito bem, muito feliz também pelo voto de confiança local e global. Em seis anos fui subindo. No ano passado fui promovida a diretora sénior da empresa. É um crescimento que vem sendo sustentado. Em seis anos tive três funções diferentes”.
A diretora-geral admite ainda que o “voto de confiança é muito importante, tal como a recetividade da equipa, a mensagem para os clientes e também porque a Llorente y Cuenca elege os melhores especialistas”.
“É um orgulho já estarmos nos 42% [Europa] e falarmos em talento feminino. Tivemos promoções de duas grávidas que foram promovidas antes de ir [de licença] e isto é distintivo. Uma delas já foi [promovida] duas vezes em duas gravidezes. A nossa diretora de talento de Espanha também foi promovida durante a gravidez”, sustenta, sublinhando que “não se tratam de casos isolados”.
Por sua vez, Luís Miguel Peña assume que viu empresas a perder bons talentos por não valorizarem as mulheres-mães enquanto boas profissionais. “Vimos muitas empresas, onde as mulheres chegavam aos 30 anos, estavam prontas para subir na empresa e não eram promovidas. Depois perdem-se bons talentos. Nós vimos que não podíamos fazer igual”, conta ao JE.
Marlene lembra ainda que este é o mote da empresa: “não fazer storytelling mas storydoing”. Em vez de promoverem publicamente ações, vão fazendo as promoções acontecer. “Já estamos a fazer isso e acho que são pontos importantes e distintos”.
Como atrair talento?
Como não só de mulheres se faz uma empresa, embora elas representem mais de metade dentro desta consultora de comunicação, a LLYC tem apostado na vertente tecnológica e isso implica ter mais profissões agregadas ao seu negócio.
A LLYC terminou o ano passado com 1.200 trabalhadores, depois de apontar para uma meta de mil. Ou seja, a empresa cresceu e ainda superou as expectativas definidas.
“Uma percentagem da nossa empresa são engenheiros mas também criativos, developers; 15% da empresa são criativos puros”, conta Luís Miguel Peña. “Temos uma menor proporção de antigos jornalistas ou pessoas formadas em comunicação. Temos muitos sociólogos, filósofos e pessoas que estudaram direito, o que é importante por causa da regulação”.
Sobre a atração de talento, Luís Miguel e Marlene falam do programa ‘Challengers’. “Este programa permite acelerar a carreira de um recém-licenciado nos dois primeiros anos dentro da empresa. Neste programa, a cada seis meses, existe um plano de crescimento salarial e de área”. Isto é, “atraímos talento através da carreira profissional”, evidencia o CEO da Europa.
Mas não só ao nível da atração. “Na direção, quando se cresce ao nosso nível, existem mais administrativos. A nossa idade média na administração é 34 anos, portanto, bastante jovem”.
O que procuram no talento?
“Gostamos de pessoas inquietas, determinadas, curiosas e que gostem de saber mais porque as nossas áreas de atuação são muito diferentes. Também gostamos de pessoas que se saibam adaptar porque hoje têm um trabalho a desenvolver e amanhã já têm outro. A semana é muito variável e não há forma de se aborrecerem”, explica Luís Miguel.
Mas não é só a inquietude. Para a LLYC “também é importante que sejam pessoas curiosas com a tecnologia” devido à área de Deep Digital Business. “Temos de ter pessoas que tenham inquietude tecnológica”.
Marlene Gaspar explica que só se cresce fazendo cresce. “Acho que isso também atrai talento. A minha nomeação, por exemplo, fez crescer três pessoas na mesma altura. Isso é um atrativo de talento importante”.
Algo diferenciador, e que até aos dias de hoje é mais conhecido nas sociedades de advogados, é a possibilidade de trabalhar, crescer e ser sócio. “A grande diferença, connosco, é a oportunidade de crescer e chegar a sócio. A empresa foi fundada em 1995 por dois sócios, a senhora Cuenca e o senhor Llorente.”, nota.
“Hoje temos 30 sócios, em menos de 30 anos. Isso é uma vantagem para quando se quer atrair talento jovem. Na nossa profissão isto não era normal, só nos advogados. No ano passado, adicionámos cinco novos sócios e o mais novo tinha 35 anos. Em Lisboa, o Tiago Vidal é sócio”, referindo-se ao ex-diretor.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com