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Atual governador do BdP, um seu antecessor e a possível sucessão convergem em críticas a estudo do BCE sobre rigidez laboral europeia

Mário Centeno, Vítor Constâncio e Ricardo Reis – o atual governador do BdP, um dos seus antecessores e um dos favoritos a ocupar o cargo a partir de 20 de julho – deixaram críticas a um estudo apresentado no Fórum do BCE, em Sintra, que apontava a rigidez institucional como um fator de desvantagem no mercado laboral comparando com os EUA.
1 Julho 2025, 12h30

A ‘esclerose’ do mercado de trabalho europeu é fruto sobretudo da falta de dinamismo e da proteção laboral que os trabalhadores gozam no continente, defendeu um estudo apresentado no Fórum do Banco Central Europeu (BCE) esta terça-feira – uma ideia prontamente rebatida pelo atual governador do Banco de Portugal (BdP) e por um dos seus antecessores, bem como por Ricardo Reis, apontado como dos favoritos a suceder a Centeno.

O estudo de Benjamin Schoefer, da Universidade de Berkeley, na Califórnia, defende a ideia de que muitos dos sinais da ‘eurosclerose’ no mercado de trabalho europeu nos anos 80 se mantêm, sobretudo a rigidez institucional. Apesar de já não se verificar um elevado desemprego, continua a existir pouca mobilidade laboral, barreiras à inovação e rigidez na definição salarial, o que cria desvantagens em relação aos EUA.

No entanto, esta visão foi prontamente rebatida por Mário Centeno, governador do BdP, que pediu que se vá “um pouco mais além nos números”, olhando, por exemplo, para os salários.

“Dos dez milhões de empregos criados os últimos cinco anos, seis milhões são ocupados num país diferente do de origem do trabalhador”, apontou, como forma de defender que “há uma elevada mobilidade” no mercado de trabalho europeu.

Visitando o caso português, onde os dados sobre o mercado laboral são robustos, o governador relembrou que, “por cada emprego criado, foram celebrados dez novos contratos”, pelo que “os indicadores de proteção laboral apresentados não mostram a realidade do emprego”.

Assim, na linha de outros estudos já apresentados pelo BdP, os trabalhadores que mudaram de emprego tiveram ganhos salariais na ordem do dobro do resto do mercado, destacou.

Além de Centeno, também um dos seus antecessores, Vítor Constâncio, apontou o dedo ao estudo. A questão do financiamento e da disponibilidade de capital de risco faltou à análise, argumentou, o que cria uma diferença de fundo no paradigma empresarial em ambas as economias e torna o estudo “demasiado ambicioso”.

Pelo meio, Ricardo Reis, economista e professor universitário apontado como um dos mais fortes candidatos a suceder a Mário Centeno à frente do banco central, também relembrou os atrasos na União de Mercados e Capitais e a forma como tal influencia a capacidade de as empresas europeias concorrerem com as suas homólogas norte-americanas.

“Quando as empresas europeias crescem e se tornam em unicórnios, vão para os EUA para ir buscar capital, mas não dispensam os seus trabalhadores, o que sugere que o problema poderá ser sobretudo o financiamento”, ilustrou.

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