Austrália revê concessão de porto a empresa chinesa por questões de segurança

A decisão do Governo do primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, surgiu duas semanas depois de terem sido vetados dois acordos entre a China e a região de Victoria sobre projetos ligados à iniciativa estratégica de Pequim “Um faixa, Uma rota”.

Sydney, Austrália

O Ministério da Defesa australiano está a rever o contrato de concessão do porto de Darwin a uma empresa chinesa para avaliar se põe em perigo a segurança da Austrália, foi noticiado no domingo.

O ministro da Defesa australiano Peter Dutton confirmou que o Ministério está “a analisar opções que são do interesse nacional” australiano, embora não tenha dito se estas podem incluir o cancelamento forçado do investimento, de acordo com o jornal Sydney Morning Herald.

Os peritos em segurança e a oposição questionaram repetidamente o concurso de 99 anos para o porto de Darwin, no norte da Austrália, assinado em 2015 entre o governo do Território do Norte e a empresa bilionária chinesa Ye Cheng’s Landbridge, por 506 milhões de dólares australianos (325 milhões de euros).

A empresa de Cheng, alegadamente com fortes ligações ao Partido Comunista Chinês, tem o controlo operacional total do porto de Darwin, uma cidade estratégica na região do Indo-Pacífico onde centenas de fuzileiros norte-americanos estão destacados.

A companhia possui também 80% dos terrenos e instalações no East Arm Wharf.

A decisão do Governo do primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, surgiu duas semanas depois de terem sido vetados dois acordos entre a China e a região de Victoria sobre projetos ligados à iniciativa estratégica de Pequim “Um faixa, Uma rota”.

As revogações, ao abrigo de uma lei aprovada em finais de 2020 pelo Parlamento australiano para proteger os interesses do país, criaram mal-estar junto das autoridades chinesas. A China é o maior parceiro comercial da Austrália.

Na semana passada, Morrison comentou que o Governo ia rever a decisão relativamente às propostas portuárias e a quaisquer locais estratégicos, caso isso representasse um perigo para a segurança do país.

As relações entre Pequim e Camberra, que caíram numa disputa comercial com a imposição de direitos sobre várias exportações australianas para a China, têm sido ainda mais tensas desde que a Austrália defendeu uma investigação à pandemia da covid-19.

Mas o chefe adjunto da missão chinesa na Austrália, Wang Xining, disse acreditar que as relações bilaterais começaram a deteriorar-se com a decisão de Camberra, em 2018, de excluir a empresa de telecomunicações chinesa Huawei da rede 5G australiana.

Nos últimos anos, a Austrália aprovou uma série de leis para bloquear a alegada interferência estrangeira na política e na economia do país oceânico, sem referir diretamente a China, sobre a qual existem suspeitas de possíveis ataques cibernéticos contra universidades e entidades governamentais.

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