Autarcas da AMP preocupados com distribuição do Fundo de Recuperação

Alguns municípios da Área Metropolitana do Porto (AMP) mostraram-se preocupados com a distribuição dos 45 mil milhões de euros que o país vai receber do Fundo de Recuperação europeu, receando que o Porto seja preterido.

Alguns municípios da Área Metropolitana do Porto mostraram-se esta sexta-feira preocupados com a distribuição dos 45 mil milhões de euros que o país vai receber do Fundo de Recuperação europeu, temendo que a região seja mais uma vez preterida.

“A bazuca, como lhe quiseram chamar, parece ter uma única orientação e onde nós vimos até agora a bazuca a ser apontada foi para a TAP, em projetos do metro de Lisboa, foram nos 300 milhões para o turismo do Algarve e nós, na Área Metropolitana, não poderíamos ficar parados em relação a isso”, defendeu o vice-presidente da Câmara do Porto, Filipe Araújo, durante a reunião do Conselho Metropolitano desta sexta-feira onde foi anunciada a elaboração de um Plano Metropolitano para o Desenvolvimento económico e social, a apresentar ao Governo até meados de outubro.

Para o autarca, este plano metropolitano deve mostrar claramente aquilo que a AMP quer ser nos próximos anos, definindo prioridades em área como a energia, os transportes ou a agricultura de proximidade.

Também o vice-presidente da Câmara de Espinho, António Pinto, se mostrou preocupado com a afetação das verbas provenientes do Fundo de Recuperação, sobretudo se os grandes investimentos já anunciados totalizarem cerca de 80% do dinheiro que Portugal vai receber de Bruxelas.

“A questão não está hoje nas tipologias de intervenção, (…) a grande questão é como é que as verbas vão ser afetadas. Se em Portugal se coloca, por esta ordem, [como prioridade] os investimentos no aeroporto em Lisboa, o investimento numa ligação de alta velocidade Porto-Lisboa, o investimento no metro de Lisboa e o investimento no metro do Porto, face às verbas disponíveis qual é a percentagem que sobra para as outras coisas”, questionou, salientando que se estes investimentos representarem cerca de 80% do montante global, sobram 20% para concretizar os investimentos que a região necessita.

Antes, o presidente da AMP, Eduardo Vítor Rodrigues, tinha já explicado que foi acordado com o Governo a entrega de um documento conformador que defina as prioridades de investimento na área metropolitana, o que tem de acontecer até meados de outubro.

“É necessário trabalhar durante o mês de agosto e setembro, para podermos entregar até outubro uma proposta muito concreta que repesque as nossas prioridades explanadas no ano passado, no Plano Nacional de Investimento (PNI) – que tinham que ver com ferrovia, com o metro do Porto, com os portos, com o aeroporto – mas tendo em conta uma nova realidade que resulta da Covid como a falências das empresas e das instituições do setor social”.

Para a construção do Plano Metropolitano para o Desenvolvimento Económico e Social, como foi apelidado, o autarca quer recolher os contributos não só dos municípios, mas também das universidades e das empresas, por forma garantir que as prioridades ali definidas possam ser materializadas.

Confrontado com preocupações sobre a distribuição de verbas, Eduardo Vítor Rodrigues salientou que cabe a AMP fazer o seu trabalho de casa, antes de criticar o centralismo.

“Aquilo que eu não posso aceitar é que estejamos sempre a dizer mal de Lisboa e não façamos o nosso trabalho de casa e, portanto, enquanto presidente da Área Metropolitana tenho obrigação de chamar a atenção para aquilo que deve ser o debate que nos temos de fazer, alarga-lo se possível à região”, declarou, quando questionado pelos jornalistas.

O autarca referiu até que no que toca a investimento, embora reconheça as dificuldades nas negociações, a região não se pode queixar, apontando o exemplo do metro do Porto, cujo investimento foi superior ao de Lisboa.

“Nós temos desde já projetos a ir para o terreno no Metro do Porto, com a Linha Rosa e a Linha Amarela, em Vila Nova de Gaia(…). Temos um conjunto de novas linhas que incluem até uma ponte de atravessamento, no rio Douro, junto à Arrábida que está absolutamente estabilizada, temos um estudo em curso. Eu julgo que não nos devemos impressionar pela capacidade que possa existir de apresentar projetos que ainda nem sequer estão incorporados no plano, temos é de fazer o nosso trabalho de casa”, reiterou.

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