Galp. Autarquia de Matosinhos avisa que não vai permitir a construção de imóveis no local da refinaria

A autarca Luísa Salgueiro avisa que não vai alterar o PDM do concelho para permitir a construção de habitação nos 290 hectares da refinaria. “Não é intenção da câmara mudar os destinos daqueles solos. Ali deve ser realizada atividade industrial”, afirmou.

Shrikesh Laxmidas

A autarca de Matosinhos avisou hoje que não vai alterar o Plano Diretor Municipal (PDM) em vigor para o local da refinaria da Galp.

Luísa Salgueiro rejeita que após o encerramento da refinaria possam ser construídos imóveis na refinaria localizada em Leça da Palmeira, distrito do Porto, que conta com 290 hectares e fica localizada junto ao mar.

“No PDM revisto em agosto de 2019 prevê apenas atividade económica. Não é intenção da câmara mudar os destinos daqueles solos. Ali deve ser realizada atividade industrial”, defendeu a autarca socialista em audição na comissão de ambiente e de energia no Parlamento.

“O território de Matosinhos está marcado pela presença do porto de Leixões e duas plataformas logísticas: Gatões e Gonçalves”, destacou.

“Temos previsto grandes áreas de expansão de crescimento imobiliário”, quase 70 hectares em várias zonas incluindo na área da Exponor e da Jomar, para construir habitações.

O encerramento da refinaria foi anunciada a 20 de dezembro, depois de meses de paragem devido à pandemia da Covid-19 e o impacto negativo na economia. A Galp ainda não anunciou quais os seus planos para o local.

“A nossa preocupação é que ali possam continuar a contribuir para o PIB nacional”, afirmou a autarca, apontando que espera que das novas atividades não resultem atividades que “tragam impactos ambientais nefastas para a população ou saúde publica”.

Nos dados que apresentou, a autarca apontou que a refinaria conta com 400 trabalhadores diretos e mais de mil indiretos.

Luísa Salgueiro espera que a “Galp possa continuar a desenvolver os seus investimentos” no local da refinaria de Matosinhos e avisou que vai ser “intransigente” na “defesa dos interesses da população” e no “valor estratégico do equipamento para a população e o país”.

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