Banca comercial de Angola volta a pedir dinheiro ao BNA em agosto

Valor até ao oitavo mês do ano está 66% abaixo do homólogo.

A banca comercial angolana voltou a pedir dinheiro ao Banco Nacional de Angola (BNA) em agosto. As operações de redesconto ascenderam a cerca de 445 mil milhões de kwanzas (Kz) nos primeiros oito meses deste ano, uma quebra de 66% face ao homólogo, quando ascenderam a perto de 867 mil milhões Kz, segundo cálculos do jornal “Mercado” com base em dados do banco central.

De acordo com dados do banco central, maio e agosto foram os únicos meses de 2019 em que a banca comercial recorreu ao BNA para financiamento de curto prazo mediante operações de redesconto. O não recurso a financiamento do BNA pelos bancos comerciais deverá, de acordo com fontes do mercado, dever-se ao facto de as instituições estarem a gerir a liquidez de depósitos e indica uma situação confortável de liquidez.

Uma operação de redesconto enquanto instrumento de política monetária, recorde-se, consiste num empréstimo do banco central aos bancos comerciais quando estes se encontram com poucos recursos, durante um determinado período. Mas pode igualmente consistir em empréstimos entre bancos comerciais.

O economista Henriques da Ressurreição explica que as operações de redesconto colocam o BNA numa situação de “financiador de última instância”, pelo facto de ajudar os bancos comerciais a cobrirem défices de tesouraria, nomeadamente quando a procura por recursos depositados não cobrem as necessidades.

“Quando o propósito do banco central é injetar liquidez no mercado, ele baixa a taxa de juro para estimular os bancos a obter tais empréstimos. Os bancos comerciais, por sua vez, terão mais disponibilidade de crédito para oferecer ao mercado”, diz Henriques da Ressurreição. “A fraca capacidade apresentada por estas instituições pode levar ao BNA a optar por duas posições: rejeição da concessão de futuros empréstimos, ou conceder o crédito, mas a uma taxa juro muito acima daquelas praticadas pelo mercado”, diz o economista.

O redesconto torna-se funcional muito devido a aplicação de uma taxa de referência, denominada Taxa de Redesconto, controlada pela autoridade monetária. Assim, uma redução na Taxa de Redesconto leva aos bancos a captarem mais dinheiro para aumentar suas operações de crédito.

Pelo contrário, um aumento da taxa de redesconto reduz indirectamente a capacidade dos bancos para financiarem a economia, visto que estes teriam de pagar mais para ter acesso ao crédito. Atualmente, recorde-se, a Taxa de Redesconto do BNA está nos 20%, inalterada desde julho de 2017.

Por Rúben Ramos

Ler mais
Recomendadas

Qual o futuro do dinheiro? Gerir, pagar e receber online, dizem especialistas

Se os cartões sem contacto já são uma realidade para muitos portugueses o mesmo não se pode dizer dos métodos de pagamento com dados biométricos ou através de acessórios, como anéis. No entanto, a pandemia veio mudar a visão dos mais céticos.

PremiumCore Capital compra SousaCamp por 12,3 milhões de euros

A escritura de venda dos créditos do Novo Banco e do Crédito Agrícola no grupo Sousacamp à capital de risco Core Capital, foi finalmente assinada esta quinta-feira, dia 28 de maio.

Portugal é dos países europeus que mais investe em ‘open banking’, conclui estudo

A oportunidade de melhorar a experiência do cliente foi o maior catalisador dos investimentos, segundo a análise da plataforma sueca Tink.
Comentários