O Banco Montepio, no último exercício liderado por Pedro Leitão, encerrou 2025 com um resultado líquido consolidado de 103,8 milhões de euros e uma rendibilidade bruta do capital próprio de 9,6%. O ROE (resultado líquido / capitais próprios) caiu 0,8 pontos percentuais para 6%.
Os lucros caíram 5,6% “num contexto exigente de normalização das taxas de juro”, explica o banco.
A margem financeira totalizou 330,6 milhões de euros em 2025, diminuindo 14% face a 2024, refletindo a normalização das taxas de juro e a consequente redução dos juros do crédito. “A pressão sobre a margem foi parcialmente mitigada pelo maior contributo da carteira de títulos e por uma gestão ativa da liquidez, beneficiando, entre outros fatores, do efeito positivo associado à ausência de encargos com financiamento junto do BCE ao longo de 2025 e da redução do custo de financiamento nas operações de repo”, segundo o banco.
A evolução financeira em 2025 foi marcada por um crescimento de 3,9% nas comissões líquidas, que atingiram os 132,8 milhões devido ao “forte dinamismo comercial”, sem necessidade de elevar os preçários, explica a instituição financeira.
Por outro lado, os resultados de operações financeiras inverteram para um valor negativo de 11,4 milhões, penalizados pela menor performance da carteira de títulos, bem como do diferimento da devolução do Adicional de Solidariedade sobre o setor bancário.
Ainda ao nível das receitas, os outros resultados registaram uma recuperação de 13,8 milhões fixando-se em -2,9 milhões de euros (eram negativos em 16,8 milhões em 2024) fruto da descida das contribuições obrigatórias (IFRIC 21) e de ganhos com cessões e recompras de crédito.
O produto bancário caiu 9,8% para 450,1 milhões de euros.
Custos operacionais sobem apesar da redução dos custos com pessoal
Do lado dos custos operacionais verifica-se que subiram 3% para 290,0 milhões, refletindo maiores gastos administrativos e depreciações, apesar da ligeira poupança nos custos com pessoal (-0,7%), que fecharam nos 161,2 milhões num quadro de ajustamento estrutural e valorização de talento.
A eficiência, medida pelo rácio cost-to-income recorrente, agravou para 62%, “refletindo sobretudo o investimento contínuo em tecnologia e transformação digital, bem como o impacto da descida da margem financeira comercial num contexto de normalização das taxas de juro”.
O banco relata ainda que o valor líquido do agregado Imparidades e Provisões foi negativo em 4,4 milhões no final de 2025, “traduzindo uma redução de 56,5 milhões na dotação face ao valor observado no final de 2024. No que toca às imparidades de crédito totalizaram um valor líquido de -6,1 milhões, no final de 2025, por comparação à dotação de 21,8 milhões registada em 2024, refletindo a melhoria da qualidade da carteira de crédito e traduzindo um custo de risco de crédito marginalmente negativo em 2025.
O agregado da imparidade de outros ativos financeiros, de outros ativos e das provisões líquidas de reposições e anulações totalizou 1,7 milhões de euros em 2025, face a 30,4 milhões em 2024, em resultado da evolução das imparidades para imóveis de negociação e
para outros ativos e devedores, e da reversão da dotação de outras provisões.
O banco liderado por Pedro Leitão diz que o desempenho em 2025 reflete o maior crescimento anual de sempre da atividade comercial, aliado a disciplina de risco, eficiência na gestão do balanço e controlo rigoroso de custos.
Balanço com depósitos e crédito a subirem
Os depósitos de clientes atingiram um novo máximo de 16,1 mil milhões de euros (+7,4%) e o crédito a clientes cresceu para 13,0 mil milhões de euros (+7,0%), com destaque para o apoio às Famílias, nomeadamente no crédito habitação, e para o reforço da atividade junto das Empresas e da Economia Social. O segmento dos jovens para aquisição da primeira habitação representou 41% da produção de Crédito
Habitação. O que tem sido uma constante em todo o setor por cauda da garantia do Estado para o crédito à habitação para jovens até aos 35 anos.
“Foi utilizado em mais de 60% o montante da linha de crédito jovem com garantia, até à data”
Recorde-se que o Banco Montepio recebeu um reforço de 55 milhões de euros na garantia estatal para crédito à habitação jovem, para 60 milhões, elevando a sua capacidade de financiar a 100% a primeira casa para jovens até 35 anos. Este aumento responde à elevada procura e esgotamento inicial do plafond, permitindo mais créditos sem entrada, até 31 de dezembro de 2026.
O CEO do Banco Montepio, Pedro Leitão, tinha considerado os cinco milhões de euros de quota atribuídos inicialmente à instituição, no âmbito da garantia pública ao crédito à habitação jovem “dececionantes”.
Fonte do banco diz agora que foi utilizado em mais de 60% o montante da linha de crédito jovem com garantia, até à data.
Nos depósitos, o destaque vai para o crescimento do segmento Empresas em 550 milhões (+12,3%) e de particulares em 555 milhões
(+5,3% que em 2024).
A evolução do crédito refletiu o aumento do crédito performing em 892 mlhões (+7,5%), e a redução do crédito non-performing em 40 milhões de euros (-15,4%).
“A qualidade dos ativos voltou a melhorar, com o rácio de NPE a reduzir-se para 1,6% e o custo do risco em níveis muito baixos (0%), comparando com os 0,2% verificados em 2024, confirmando a robustez estrutural do perfil de risco do Banco Montepio”, avança a instituição. A cobertura por imparidades totais para risco de crédito ascendeu a 83,4% (83,3% no final de 2024).
Tendo em conta o histórico de exposição ao imobiliário, o banco da Associação Mutualista Montepio Geral realçou a redução da exposição ao risco imobiliário em 61 milhões (-32%), para um total de 127 milhões de euros, representando apenas 0,6% do ativo líquido (1,0% no final de
2024) e 7,8% dos fundos próprios (12,3% no final de 2024).
Os ativos ponderados pelo risco (RWA) aumentaram 353 milhões no ano passado, devido, essencialmente, ao crescimento da carteira de crédito e à diversificação da carteira de títulos.
O banco explica que a densidade dos RWA (medida pelo rácio entre os RWA e o Ativo líquido), fixou-se em 41,9% no final de 2025 (43,3% no final do ano anterior), “revelando a eficiência da gestão do capital na tomada de decisões de investimento e na concessão de crédito”.
Por sua vez os fundos Próprios aumentaram 92 milhões em 2025 para 1.624 milhões de euros traduzindo, essencialmente, a evolução positiva do resultado líquido acumulado do período deduzido da distribuição de dividendos estimada. O impacto da distribuição de
dividendos no capital próprio foi de -30,6 milhões.
O banco relata que o capital social registou, no final de 2025, um aumento de 4,8 milhões de euros, decorrente da incorporação da reserva especial constituída ao abrigo do Regime Especial aplicável aos Ativos por Impostos Diferidos (REAID). “Este aumento resultou da conversão de direitos atribuídos ao Estado relativos aos exercícios de 2020 e 2021, que, nos termos legais e regulamentares aplicáveis, foram adquiridos
pelos acionistas através do exercício do direito potestativo de aquisição”, acrescenta.
Pedro Leitão deixará o Banco Montepio na próxima Assembleia Geral e deixa o banco da Associação Mutualista com um Rácio Common Equity Tier I (CET1) de 16,4% (acima 0,4 pp do ano anterior). O rácio de Capital Total2 ascendeu a 19,5%.
O banco sublinha que a evolução dos rácios de capital “reflete uma combinação equilibrada entre o crescimento sustentado da atividade, a capacidade de geração orgânica de resultados e uma gestão ativa do balanço, orientada para a eficiência na alocação de capital e para o controlo do risco” e diz que estes fatores permitiram “reforçar a sua posição de capital, mantendo níveis confortáveis de solvabilidade e uma
margem significativa face aos requisitos regulamentares”.
O rácio MREL em percentagem dos RWA situou-se em 26,7% em 31 de dezembro de 2025, posicionando-se acima do requisito mínimo fixado em 24,46% (incluindo o requisito combinado de reservas de fundos próprios). Este requisito mínimo aumentará para 25,16% a partir de 1 de janeiro de 2026.
“O Rácio MREL em percentagem do total da LRE (Leverage Ratio Exposure) atingiu 11,0% no final de 2025, permanecendo também confortavelmente acima do requisito mínimo de 5,33%, em vigor desde 1 de janeiro de 2022.
“O regresso do Banco Montepio ao nível de investimento pelas três agências internacionais constitui um marco estruturante”
O banco liderado por Pedro Leitão sublinha as revisões em alta das notações de risco. “O regresso do Banco Montepio ao nível de investimento pelas três agências internacionais constitui um marco estruturante”, refere a instituição que diz que isso reflete “a evolução positiva da rendibilidade recorrente e da capitalização do Banco Montepio, a adoção consistente de uma estratégia de redução do risco, a manutenção de um perfil robusto de financiamento e liquidez suportado por uma base de depósitos crescente e resiliente, e a melhoria na avaliação da governação decorrente da implementação de uma estratégia financeira sólida e de melhores práticas de gestão de risco”.
(atualizada com a percentagem da garantia pública para crédito jovem utilizada)
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