Bancos e fintech: “Tem de haver igualdade de tratamento”, defendem BBVA e SoftFinança

Há espaço no setor bancário para os bancos e para as fintech. No entanto, os bancos podem oferecer serviços e produtos idênticos alavancados pela confiança que estabeleceram com os clientes.

A confiança e a segurança serão essenciais para a criação de valor no futuro do setor bancário, numa altura em que a maioria dos serviços dos bancos estão a ser digitalizados. No entanto, o surgimento as fintech no setor terá de ser guiado por legislação que regule os bancos e estes novos agentes de mercado de forma igualitária.

Esta é a opinião de Andreia Madeira, do BBVA Open Innovation, e de Luís Teodoro, da SoftFinança, que participaram na conferência “How to Implement a fintech Technology and Strategy”, organizada pela Quidgest e da qual o Jornal Económico é media partner.

Para Andreia Madeira, apesar de reconhecer que a concorrência dos bancos se alterou, com o surgimento das fintech, no ecossistema atual há espaço para os dois, abarcando os bancos e as fintech. No entanto, salientou que “o maior desafio para a banca tradicional consiste em oferecer as mesmas soluções que as fintech mas alavancando com o seu maior capital, que é a confiança”.

O papel da banca está indexado ao capital de confiança e é preciso também “percebermos que os comportamentos dos clientes já estão a mudar. Por isso as organizações têm de mudar, disse Andreia Madeira.

Todos falaram dos novos players e de como isso será decisivo no futuro do setor bancário. Falar de novos players que vão competir com os bancos no mesmo mercado é falar de um “level playing field” e daí a importância da regulação para estabelecer regras e deveres semelhantes para atividades semelhantes.

“A confiança. Estamos a ver que há alguns players que não são do setor que estão a interagir com os clientes, oferecendo-lhes soluções, com mais rapidez e menos custo”, salientou Andreia. Nesse contexto, deixou em aberto a questão: “qual é a diferença para um cliente trabalhar com um banco ou com um destes players“.

Todos os serviços tradicionais são convertidos para uma versão digital, mas do outro lado da app temos uma pessoa com formação, que faz uma assessoria e que traz segurança”, lembrou.

Também para Luís da SoftFinança, a questão da segurança e da regulação são essenciais. “Quando dizemos que as novas fintech são uma ameaça, pergunto, quantos de vocês depositava dinheiro no Facebook, por exemplo? O cliente que privilegia a confiança não aceita pôr o dinheiro dele em algo que não seja conceptualmente tangível, como é o caso dum banco”.

Segundo Luís Teodoro, a regulação deve assumir um papel de “guia” na supervisão da atividade, quer dos bancos, quer das fintech. “Aqui o papel da regulação é importante não para ser castrador à entrada das iniciativas emergentes ou permissivo o suficiente para que haja riscos sistémicos. O regulador tem de ser um guia para que haja boas práticas e que seja possível conviverem no mesmo mercado a banca e as fintech“, frisou.

 

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