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Bancos reduzem juros no crédito a empresas no 4º trimestre e antecipam maior procura em 2026

Os bancos antecipam critérios mais flexíveis e maior procura de crédito pelas PME em 2026, segundo o inquérito levado a cabo pelo Banco de Portugal.
3 Fevereiro 2026, 12h46

O mais recente Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito, divulgado pelo Banco de Portugal, revela que as instituições financeiras operaram com critérios de concessão de crédito globalmente inalterados no quarto trimestre de 2025.  No entanto, registou-se uma ligeira flexibilização nos termos e condições para as empresas, impulsionada pela concorrência bancária e por uma descida marginal das taxas de juro.

O questionário foi enviado aos bancos no dia 15 de dezembro de 2025 e o envio de respostas ocorreu até ao dia 13 de janeiro de 2026, explica o Banco de Portugal.

A avaliação da oferta e da procura refere-se ao quarto trimestre de 2025 por comparação com o trimestre anterior. As expetativas referem-se ao primeiro trimestre de 2026.

No que se refere à oferta de crédito, o banco central revela que, embora os critérios base para aprovação de novos empréstimos tenham permanecido estáveis, tanto para empresas como para particulares, os bancos reportaram uma ligeira diminuição da taxa de juro e do spread em empréstimos de risco médio concedidos a PME e grandes empresas. No caso específico das PME, houve também um alívio na restritividade quanto a montantes e maturidades.

Nas PME, verificou-se ainda uma flexibilização nos montantes e maturidades. Esta evolução foi impulsionada pela concorrência bancária, pelas condições de financiamento de mercado e por uma visão mais favorável sobre setores específicos e garantias. No crédito a particulares, não houve alterações.

A proporção de pedidos rejeitados manteve-se estável em todos os setores. Para o futuro próximo, antecipam-se critérios ligeiramente menos restritivos para PME e empréstimos de curto prazo, prevendo-se a manutenção da estabilidade no crédito às famílias, segundo o inquérito.

No segmento da habitação, a oferta manteve-se firme. As perspetivas do mercado imobiliário e a expetativa de evolução de preços chegaram a pressionar para critérios mais restritivos, mas sem impacto agregado na política de concessão final.

Procura: PME e Fundo de Maneio lideram crescimento

Do lado da procura de crédito verificou-se um aumento, especialmente por parte das PME e para empréstimos de curto prazo. O principal motor deste crescimento foram as necessidades de financiamento de existências e fundo de maneio, além do investimento e do nível das taxas de juro. Em contrapartida, o uso de capitais próprios e a emissão de títulos de dívida pelas grandes empresas atenuaram este crescimento.

Algumas empresas optaram pela geração interna de fundos ou emissão de títulos de dívida, o que atenuou a necessidade de recurso ao crédito bancário tradicional.

Nos particulares, verificou-se um ligeiro aumento da procura em todos os segmentos. No crédito à habitação, este comportamento foi influenciado pelo atual regime regulamentar e fiscal, enquanto no consumo o destaque foi para o recurso a empréstimos garantidos por imóveis.

As expetativas para o 1.º trimestre deste ano antecipadas pelos bancos apontam para a manutenção do aumento da procura, focada em PME e curto prazo, com critérios de concessão que podem tornar-se ligeiramente menos restritivos, e para a estabilização na procura de crédito de particulares e nos critérios de aprovação.

Questões ad hoc

Nesta secção apresentam-se os resultados de um conjunto de questões adicionais de natureza não permanente, diz o Banco de Portugal.

O relatório do Banco de Portugal indica uma melhoria recente no acesso ao financiamento da banca por emissão de dívida, cenário que deverá manter-se estável.

No campo regulatório, verificou-se um reforço dos fundos próprios através da retenção de lucros e um aumento dos ativos líquidos, embora as condições de financiamento bancário tenham ficado ligeiramente mais restritivas.

Apesar disso, estas exigências não afetaram os critérios de concessão de crédito a empresas ou particulares.

Quanto aos setores económicos, os critérios de crédito tornaram-se mais rigorosos para a indústria automóvel, mas aliviaram nos serviços e no comércio.

Para o próximo semestre, antecipa-se um aumento da procura de empréstimos na indústria, construção e imobiliário residencial.

Por fim, embora a exposição à incerteza do comércio internacional seja considerada pouco relevante, os bancos revelam menor tolerância ao risco, aplicando critérios ligeiramente mais restritivos a empresas expostas ao mercado global.

O banco central destaca ainda que o anúncio de tarifas alfandegárias pelos Estados Unidos (EUA) em abril de 2025 levou a revisões em baixa no crescimento económico, mas o impacto real acabou por ser mais moderado do que o previsto.

Segundo dados analisados pelo Banco de Portugal, a exposição dos bancos portugueses e da área do euro a estas tensões comerciais é considerada limitada, não se tendo traduzido em danos significativos nos indicadores de capital, liquidez ou rentabilidade. Embora as empresas portuguesas sintam estas pressões de forma ligeiramente mais acentuada que os seus pares europeus, a maioria dos bancos classifica o risco como pouco importante.

O principal efeito prático deste cenário foi um aumento da aversão ao risco, que resultou em critérios mais restritivos na concessão de crédito a empresas, situação que as instituições preveem que se mantenha estável nos próximos 12 meses.


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