Bankinter aplaude finanças públicas mas teme mais investimento na construção

O banco espanhol divulgou esta quarta-feira o plano de investimento para o terceiro trimestre de 2019. O Bankinter estima que sejam construídas 32 mil casas nos próximos dois anos, o que irá equilibrar o mercado imobiliário em Portugal.

“Tememos que os recursos da economia continuem a ser canalizados para o setor da construção, tendo em conta o gap existente entre procura e oferta e as perspetivas favoráveis sobre o setor imobiliário”. Numa nota de research sobre a estratégia de investimento do banco espanhol para o terceiro trimestre deste ano, este é o principal alerta que o Bankinter lançou aos investidores, numa altura em que o setor da construção já representa 47% do investimento em Portugal.

O preço das casas continua a ser suportado pelo baixo custo de financiamento, devido à queda das taxas Euribor e à ‘guerra dos spreads’ entre os bancos que atuam em Portugal, o crescimento da procura interna, “impulsionada pela evolução do ciclo económico e a ausência de alternativas de investimento rentáveis”, e pela escassez de imóveis para venda.

Neste último ponto, o Bankinter estima que a escassez de imóveis deixará de inflacionar o preço das habitações, uma vez que o banco estima que “nos próximos dois anos sejam construídas cerca de 18 mil novas habitações por ano”.

Segundo os dados banco, o desequilíbrio no mercado imobiliário, espelhado pelo sucessivo aumento das casas e pela escassez de oferta (nova), iniciou-se em 2013, tendo atingindo o pico em 2018 (com o preço das casas a subir 14% face ao ano anterior). A retoma na oferta tem paulatinamente aumentado desde 2016, com o banco agora a prever um equilíbrio do mercado depois de 2020.

Com maior oferta de imóveis para venda, o mercado imobiliário deverá equilibrar-se, “levando a um abrandamento do ritmo de subida dos preços para um nível mais sustentável. O Bankinter prevê ainda assim que o preços das casas cresça 4% este ano, mas apenas 1,5% em 2020.

Assim, na hora de investir em imobiliário no terceiro trimestre de 2019, o banco tem uma posição neutra.

O banco prevê que o investimento cresça 7% este ano e defende ser “fulcral” que seja canalizado para o aumento da produtividade das empresas, o que terá um impacto positivo no PIB potencial.

A sustentar o crescimento do investimento está o aumento o aumento de 17% do investimento em máquinas e equipamentos no primeiro trimestre de 2019, impulsionado pelo “elevado grau de utilização da capacidade de produção e as condições favoráveis de financiamento”, por sua vez sustentado nas baixas taxas de juro e também na “melhor posição financeira das empresas depois do longo processo de desalavancagem”.

Além disso, o Bankinter destaca ainda o consumo privado, que diz manter-se “altamente resiliente”, tendo crescido sucessivamente acima dos 2% nos últimos 11 trimestres.

No entanto, o banco reconhece ser “bastante difícil” que o consumo privado mantenha estes níveis de crescimento “daqui para a frente”, por dois motivos. A baixa taxa de poupança dos portugueses, que se encontra em mínimos históricos (4,4%) e a estagnação da taxa de desemprego, “que tem praticamente permanecido inalterada nos últimos 12 meses, entre 6,7% e 6%”.

Assim, o Bankinter prevê que uma “ligeira moderação do crescimento do consumo privado, para 2,3% este ano, e 1,9% em 2020” – um “nível suficiente elevado para dinamizar a atividade económica do país”.

De modo geral, o banco espanhol considera que a economia portuguesa está “na direção correta”, com a economia portuguesa a entrar em 2019 com “o pé direito”. No primeiro trimestre, o PIB cresceu 1,8% em termos homólogos e seis décimas acima da média da União Europeia. Para 2021, o Bankinter estima que a economia portuguesa cresça 1,6%.

As finanças publicas portuguesas também mereceram um olhar positivo por parte do Bankinter, com o banco a referir que o défice está “prestes a transformar-se em superavit”.

“Portugal está claramente na direção correta, ao contrário dos seus principais congéneres europeus”, lê-se na nota. “O elevado controlo orçamental e, sobretudo, a forte diminuição da fatura com os juros têm permitido diminuir o défice”.

Uma vez que Portugal se tem financiado a taxas de juros mínimas históricas, o Bankinter melhorou a estimativa para o saldo orçamental este ano, de -0,2% para 0%. “Consequentemente, melhoramos também a nossa previsão sobre o rácio dívidia pública / PIB, cuja trajetória descendente tem vindo a superar as nossas expectativas”, revelou o banco, que agora prevê que que o rácio se situe nos 118% no final de 2019, baixando para 115% no ano seguinte.

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