Bankinter prevê que economia portuguesa entre em recessão este ano com recuperação em 2021

De acordo com o cenário base elaborado pelo Bankinter Portugal, o PIB deverá contrair 2,7% este ano, recuperando em 2021, ano que em crescerá 3%. Exportações terão um impacto mais prolongado e deverão cair 7,7% em 2020. A taxa de desemprego poderá ascender a 9,5%.

A economia deverá entrar em recessão este ano por causa dos impactos económicos da Covid-19, com o PIB a cair 2,7%, após uma queda “histórica” de 10,6% no segundo trimestre, “seguida de uma recuperação relativamente célere, que terá início em meados do terceiro trimestre” e que se vai prolongar nos últimos três meses do ano. Para 2021, o crescimento do PIB deverá recuperar, expandindo 3%.

Este é o cenário base de João Pisco, analista financeiro e de mercados do Bankinter Portugal, numa nota de research divulgada esta terça-feira e à qual Jornal Económico teve acesso. “Revemos significativamente em baixa as nossas previsões de crescimento do PIB em 2020 devido à propagação da Covid-19. Embora nesta fase ainda exista um elevado nível de incerteza, é altamente provável que a economia portuguesa entre em recessão em 2020”, disse o analista.

Joao Pisco alerta que as exportações deverão sofrer o impacto “mais prolongado”, estimando que contraiam 7,7% este ano, recuperando “de forma mais lenta em 2021”, ano em que sobem 1,7%, “Isto reflete não só o impacto profundo que deverá ser sentido ao nível do turismo, mas também a menor procura por bens, fruto da desaceleração económica global. Contudo, a forte queda dos preços do petróleo deverá compensar parte desse efeito e mitigar o impacto ao nível da balança comercial”, adiantou.

Na procura interna, o analista do Bankinter considera que haverá uma recuperação “relativamente rápida”, uma vez que “estaremos perante um adiamento de decisões de consumo e de investimento (…) e não perante uma quebra estrutural causada por uma diminuição generalizada dos rendimentos”, salientando a importância do reforço do comércio online na mitigação do impacto ao nível do consumo das famílias.

Do lado do emprego, João Pisco considera “inevitável” o aumento da taxa de desemprego, ilustrando uma “uma inversão na tendência favorável dos últimos anos ao nível da criação de postos de trabalho” e estima que o desemprego aumente de 6,7% em dezembro de 2019 para 9,5% no final deste ano, descendo para 8,2% em 2021. “Este aumento expressivo do desemprego em 2020 reflete sobretudo o impacto da pandemia no setor do turismo, que representa, direta e indiretamente, cerca de 20% do total de emprego em Portugal”, frisou o analista.

No contexto empresarial, João Pisco refere que será “fulcral perceber a eficácia das medidas adotadas pelo Governo, nomeadamente as linhas de crédito ou o novo regime de lay-off“, sendo que o mais importante, neste momento, é salvaguardar a tesouraria das empresas no curto-prazo.

João Pisco considera que a crise económica causada pelo novo coronavírus “tem características bastante peculiares, sobretudo quando comparada com crises anteriores, como a de 2011-2012. Isto deriva do facto de se tratar de uma crise provocada por um choque completamente exógeno à economia (saúde pública) de carácter (supostamente) temporário”.

O Bankinter traçou mais dois cenários consoante a duração da epidemia. Num cenário mais pessimista, no qual a economia se encontra em suspenso mais de dois meses, o PIB poderá contrair 4%, com o desemprego a superar a barreira dos 10%. No cenário mais otimista, que assume um controlo rápido da epidemia, o PIB cederia 0,8% e a taxa de desemprego fixar-se-ia nos 7,8%.

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