BCP tomba quase 5% com notícias vindas da Polónia. Europa fecha mista

A banca na Polónia sofreu perante a referência judicial de que os bancos devem tratar as hipotecas inicialmente concedidas em zloty e indexadas em moeda estrangeira como empréstimos zloty, independentemente do valor atual da dívida. Itália em destaque na Europa que fechou sem tendência definida.

Cristina Bernardo

O mercado português fechou a cair 0,18% para 4.798 pontos graças ao tombo das ações do BCP que foi de 4,45% para 0,1954 euros.  Tudo porque o Millennium Bank, detido a 51% pelo BCP, afundou esta quarta-feira na bolsa polaca após o Supremo Tribunal publicar guia para conversão de créditos indexados ao franco suíço em zlotys.

O BCP foi assim castigado pela queda de unidade polaca, que caiu na Polónia 13,32%. A banca polaca estava em queda arrastando o índice da bolsa de Varsóvia para uma perda de cerca de 2%. A banca na Polónia sofreu perante a referência judicial de que os bancos devem tratar as hipotecas inicialmente concedidas em zloty e indexadas em moeda estrangeira como empréstimos zloty, independentemente do valor atual da dívida, medida em francos suíços ou em euros.

Outra forte queda é da Pharol (-4,68%), com as ações da empresa a serem novamente penalizadas pelas desvalorizações acentuadas da Oi e do Real Brasileiro.

A Mota-Engil recuou 1,62% para 1,881 euros; a Semapa desceu 1,32% para 12 euros e a Navigator também fechou em queda de 1,32% para 2,992 euros.

Ao contrário, a EDP Renováveis (+1,9% para 9,66 euros) “continuou a demonstrar uma elevada resiliência à atual conjuntura, conseguindo capitalizar plenamente a sua sensibilidade à descida das yields soberanas portuguesas”, disse o analista do Millennium BCP, Ramiro Loureiro.

A Galp valorizou-se 1,48%, em linha com as suas congéneres europeias para 12,17 euros. Nos EUA, o Departamento de Energia informou que na semana passada, as reservas de crude caíram substancialmente (10 milhões de barris), o que estava a impulsionar a cotação do petróleo ( 2.50%).

Após as perdas de ontem (-1,48%), a Jerónimo Martins conseguiu realizar uma forte recuperação e fechou a ganhar 2,31% para 14,63 euros.

Os CTT recuaram marginalmente (-0,21%), o que o analista do BCP diz ser um movimento natural depois das fortes valorizações acumuladas nos últimos dias.

Após o fecho do mercado está prevista a apresentação de contas da Teixeira Duarte.

As bolsas europeias encerraram com variações ligeiras, divididas entre os ganhos do Ibex em Madrid e do Footsie em Londres e as quedas do DAX em Frankfurt. Os investidores foram sensíveis à notícia de última hora de que os EUA reiteraram a intenção de aumento de tarifas e que em Itália há sinais de entendimento para formação de Governo, evitando assim um cenário de eleições antecipadas.

O FTSE MIB  fechou inalterado nos cerca de 21 mil pontos, ao passo que o Ibex subiu 0,21% para 8.747,1 pontos. O francês CAC desceu 0,34% para 5.368,8 pontos.

O global EuroStoxx 50 caiu 0,15% para 3.365,4 pontos.

Em Itália surgem notas de que após um dia de intensas negociações entre o Movimento 5 Estrelas e o Partido Democrata, os Democratas estão dispostos a aceitar o regresso de Giuseppe Conte como primeiro-ministro. Os juros da dívida soberana de Itália estão em mínimos históricos, a poucas horas do prazo final para um acordo entre o 5 Estrelas e o PD. A expectativa do mercado é que haverá entendimento para a formação de uma nova aliança governativa.

Os juros a 10 anos italianos descem 9,3 pontos base para 1,045%. Portugal tem os juros  caírem 1,6 pontos base para 0,096% e Espanha tem aos juros a caírem 1,8 pontos base par 0,065%. A dívida alemã desce 2,1 pontos base para -0,714%.

O petróleo dispara 1,68% em Londres para 60,51 dólares.

O euro cai 0,10% para 1,1079 dólares.

 

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