Bernie Sanders quer taxar os lucros “obscenos” de bilionários frutos da pandemia

O Senador defende um imposto extraordinário sobre os lucros dos últimos cinco meses dos empresários bilionários do país, que seria suficiente para financiar o Medicare no próximo ano

Bernie Sanders, candidato nas primárias Democratas em 2016 e 2020 e Senador pelo estado do Vermont, anunciou que irá propor legislação para taxar o que apelidos de “ganhos escandalosos” dos bilionários norte-americanos durante a crise despoletada pelo novo coronavírus.

Sanders comunicou no Twitter a sua intenção, lembrando que um imposto de 60% nos lucros inesperados que 467 bilionários registaram entre 18 de março e 3 de agosto resultaria numa coleta extraordinária de 420 mil milhões de dólares, ou 355 mil milhões de euros. A quantia seria suficiente, por exemplo, para financiar todas as despesas médicas dos beneficiários do Medicare no próximo ano.

A proposta surge numa altura em que o Bloomberg Billionaires Index, que mede a fortuna da classe bilionária norte-americana, mostra ganhos consideráveis para estes agentes desde janeiro. A título de exemplo, a família Walton, detentora da Walmart, tem batido recordes de riqueza, enquanto que os chamados “Big 5”, as cinco maiores empresas de tecnologia americanas (Apple, Google/Alphabet, Amazon, Microsoft e Facebook) são já responsáveis por um terço do PIB do país.

Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo e fundador da Amazon, fez já 63 mil milhões de euros este ano, puxando a sua fortuna para os 160 mil milhões. Elon Musk, da Tesla, regista receitas de 35 mil milhões este ano, o que deixa a sua fortuna avaliada em 59 mil milhões de euros, enquanto que Mark Zuckerberg, do Facebook, vale agora 80 mil milhões de euros, depois de ganhar já 13,6 mil milhões de euros este ano.

Recorde-se que Sanders havia já abraçado uma proposta, aquando da sua candidatura à nomeação democrata no ano passado, de taxar as fortunas acima dos 32 milhões de dólares (27 milhões de euros) a 1%, valor que subiria proporcionalmente até aos 8% para fortunas acima dos 10 mil milhões de dólares (8,5 mil milhões de euros).

Um imposto deste género teria de ser aprovado pelo Congresso, o que se adivinha virtualmente impossível, dado o controlo republicano do Senado. Apesar de uma maior inclinação pública, dado o atual contexto de pandemia, para taxar a classe muito rica dos EUA, muitos democratas se têm afastado da ideia, incluindo o candidato presidencial do partido, Joe Biden, cuja proposta de mais 4 biliões de dólares (3,3 biliões de euros) em receita fiscal se foca sobretudo em impostos sob o salário de indivíduos com elevados rendimentos.

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