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BFA confiante no sucesso da entrada em bolsa

Luís Gonçalves, presidente executivo do Banco de Fomento de Angola, falava aos jornalistas à margem da apresentação da OPV, que prevê a alienação de 29,75% do capital do banco, junto dos investidores, realizada hoje em Luanda.
4 Setembro 2025, 16h06

O presidente executivo do Banco de Fomento de Angola (BFA) destacou hoje os bons resultados e a trajetória de crescimento do banco angolano, mostrando-se confiante no sucesso da Oferta Pública de Venda (OPV) que será lançada na sexta-feira.

Luís Gonçalves falava aos jornalistas à margem da apresentação da OPV, que prevê a alienação de 29,75% do capital do banco, junto dos investidores, realizada hoje em Luanda.

A operação envolve a venda de 4,46 milhões de ações ordinárias, colocadas pelos atuais acionistas — a Unitel, que disponibiliza 15%, e o Banco Português de Investimento (BPI), com 14,75%. Estarão disponíveis dois lotes: um de 2% dedicado exclusivamente a colaboradores, sendo o remanescente destinado ao público em geral.

“Não há certezas sobre o sucesso da operação mas a nossa expectativa é que sim, do diálogo que vamos tendo com os investidores nota-se que há apetite para esta operação”, disse o presidente do BFA, sublinhando que as “expectativas são altas”.

O gestor escusou-se a avançar dados concretos sobre os resultados do banco este ano, pois as contas ainda não estão fechadas: “a única evidência que temos – e é a que está registada nos nossos balancetes trimestrais, é que a operação continuou a crescer no primeiro semestre” – mas “só daqui a algumas semanas teremos uma visão mais clara”.

Luís Gonçalves indiciou que os balancetes apontam para um resultado “melhor” do primeiro semestre comparativamente ao exercício anterior.

“Mas ainda faltam seis meses para concluir o ano, ainda é cedo para garantir que o resultado e os principais indicadores se vão manter ao nível do que estava em 2024 e com tendência de crescimento”, complementou.

Os resultados do BFA em 2024 incluem um lucro de 207,8 mil milhões de kwanzas (cerca de 194 milhões de euros), o que representa um aumento de 24% face a 2023, fazendo do banco o mais lucrativo de Angola.

A partir de sexta-feira, qualquer investidor interessado poderá dirigir-se a um dos intermediários financeiros na OPV e dar a sua ordem de compra das ações, cujo preço indicativo varia entre 41.500 e 49.500 kwanzas (39 e 46 euros).

“Se chegarmos ao valor máximo de colocação, a expectativa é que se consiga angariar mais de 200 mil milhões de kwanzas (cerca de 205 milhões de euros)”, destacou.

A oferta decorre entre 5 e 25 de setembro, prevendo-se a fixação do preço final e o apuramento dos resultados a 26 de setembro, a liquidação até 29 e a admissão à negociação na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) a 30 de setembro.

Esta é a maior operação de sempre da bolsa angolana e envolve o terceiro banco a abrir o seu capital, depois do BAI e do Caixa Angola, já cotados na BODIVA.

A Unitel é atualmente controlada pelo Estado angolano, após o processo de recuperação de ativos, e o BPI pelo espanhol CaixaBank, que adquiriu em 2017 a participação de 18% a Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.


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