Bielorrússia: Reivindicações da oposição têm condições para serem aceites

O antigo presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso defendeu que quem tem de resolver os problemas na Bielorrússia é o “próprio povo”, mas ressalvou que a oposição bielorrussa tem de contar com apoio externo.

Protestos na Bielorrússia após eleição de Lukashenko para o sexto mandato consecutivo | EPA/Tatyana Zenkovich/Lusa

O antigo presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso defendeu esta quinta-feira, em Lisboa, que quem tem de resolver os problemas na Bielorrússia é o “próprio povo”, mas ressalvou que a oposição bielorrussa tem de contar com apoio externo.

Durão barroso, questionado após ter recebido, na Reitoria da Universidade Católica, em Lisboa, a líder da oposição bielorrussa, Svetlana Tikhanovskaia, considerou que a reivindicação na base da contestação popular, a realização de eleições livres e justas, “tem condições para ser aceite”.

“Vai ser o próprio povo da Bielorrússia que vai resolver o assunto. Mas é importante que, do lado externo, dos que apoiam a democracia, a liberdade e as eleições livres e justas, que o mostrem claramente, e que a União Europeia [UE] tenha uma posição clara neste aspeto e que o afirme claramente”, afirmou.

“Estou seguro que Portugal [que assume este semestre a Presidência UE] e a União Europeia estão com a causa da liberdade e da democracia na Bielorrússia e estão a apoiar todos aqueles que apoiam os diretos humanos”, acrescentou.

Durão Barroso disse ter contado a Tikhanovskaia que, antes da revolução portuguesa, a 25 de abril de 1974, também muitos pensavam que o regime de António Oliveira Salazar iria durar para sempre.

“Mas não foi. Mudou-se e, hoje em dia, somos uma democracia”, indicou, salientando a ideia de esperança no futuro democrático na Bielorrússia.

“Tenho uma grande fé, uma grande confiança, na força das ideias e da liberdade e da democracia e acho que esta reivindicação da realização de eleições livres e justas tem condições para ser aceite. Alias, a UE não reconheceu as eleições e até já tomou medidas contra o atual regime da Bielorrússia”, liderado por Alexander Lukashenko, frisou.

Sobre a opositora russa, que chegou hoje a Portugal para uma visita que vai prolongar-se até domingo, Durão Barroso indicou tratar-se de uma pessoa “com grande coragem e com grande determinação”, que está a lutar pela liberdade e pela democracia na Bielorrússia e a lutar por eleições livres e justas.

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