Bloco avisa que não vai viabilizar alterações à lei para permitir aeroporto no Montijo

Coordenadora do partido lembrou que há uma outra solução “já está estudada, que não tem que ser mais lenta e que pode voltar a ser posta em cima da mesa”, disse, apontado como solução o campo de tiro de Alcochete.

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António Cotrim/Lusa

A líder do Bloco de Esquerda avisou este domingo o Governo de que não conte com o partido para “nenhuma alteração legislativa” para “impor um aeroporto”, alertando estar em curso um “atentado ao ambiente” com a construção daquela infraestrutura no Montijo.

Presente em Braga, para o encerramento da iniciativa Inconformação, Catarina Martins lembrou que há outras soluções para controlar o aumento de tráfego no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, e que a solução “tem de ser em nome de Portugal” e não “à medida” da empresa que comprou os aeroportos do país, a Vinci.

A coordenadora nacional do Bloco explicou que a solução do Montijo vai contra a lei atual que – “e bem” – obriga à audição das populações locais, que se mostraram contra a construção de um aeroporto naquele local, restando as hipóteses de ou não o fazer ali, ou mudar a lei.

“Agora que o Governo quer mudar a lei, fica a saber o seguinte: com o BE não conta para nenhuma alteração legislativa para impor um aeroporto no Montijo contra as populações e movimentos ambientalistas e contra a segurança das pessoas”, avisou.

“Mas conta sim como o BE para uma solução que já está estudada, que não tem que ser mais lenta e que pode voltar a ser posta em cima da mesa. Não é preciso que fique ou tudo no Montijo ou tudo na mesma. Há sempre soluções, saibamos olhar para elas”, completou, apontado como solução o campo de tiro de Alcochete.

Segundo Catarina Martins, “a solução tem [de ser] em nome de Portugal, do interesse público e em nome do ambiente”.

“Não pode ser à medida da Vinci que comprou os aeroportos ao preço da chuva, e que quer fazer o máximo de dinheiro à conta do nosso país para depois, se correr mal, ir para outro lado qualquer”, explanou.

Catarina Martins deixou ainda um alerta e um pedido para que, no dia 13 de março, data para a qual está marcada uma greve climática, haja mobilização: “Estas questões são de todos. Não são questões do Parlamento, de engenheiros que tratam de aviões, são questões de toda a gente”, afirmou.

A bloquista alertou para estar em curso em Portugal o que considerou “um atentado ao ambiente e ao que contradiz todos os objetivos para a neutralidade carbónica no nosso pais e, no dia 13 de março, quando se fala de emergência climática”, deve-se proceder à mobilização para a greve climática, “por todas as bandeiras globais, mas também pelas decisões muito concretas que estão a ser tomadas agora, no nosso país, e que precisam da voz de todos”.

A coordenadora do BE lembrou ainda os pareceres de impacto ambiental negativos à construção do aeroporto no Montijo, mostrando-se preocupada com as questões levantadas “sobre a biodiversidade, preocupantes sobre algumas espécies, nomeadamente aves, preocupantes sobre o futuro, porque a zona onde se quer fazer o aeroporto é uma zona que poderá ficar submersa, e porque não substitui de forma alguma uma extensão do aeroporto de Lisboa”.

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