Bloco de Esquerda questiona Governo sobre impacto da poluição do Aeroporto Humberto Delgado

Os bloquistas querem saber que medidas estão previstas para mitigar os efeitos da poluição atmosférica, numa altura em que se prevê o tráfego aéreo aumente para os 72 aviões por hora, mais do que um por minuto.

Rafael Marchante/Reuters

O Bloco de Esquerda (BE) enviou esta sexta-feira um conjunto de questões ao Governo sobre o impacto da poluição atmosférica do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Os bloquistas querem saber que medidas estão previstas para mitigar os efeitos da poluição atmosférica, numa altura em que se prevê o tráfego aéreo aumente para os 72 aviões por hora, mais do que um por minuto.

No requerimento, a que o Jornal Económico, os deputados bloquistas questionam ao Ministério do Ambiente e Ação Climática se “estão previstas medições de controlo que permitam aferir da qualidade do ar e do nível de poluição atmosférica decorrente do Aeroporto Humberto Delgado para as populações das freguesias vizinhas” e quando e com que frequência estão a ser feitas.

O grupo parlamentar do BE cita um estudo feito por Margarida Lopes, investigadora da Universidade Nova de Lisboa, que revela que, em termos de qualidade do ar, “é no Aeroporto Humberto Delgado que os valores surpreendem, sendo cerca de dez vezes superiores aos recolhidos no centro da cidade”.

Segundo a investigadora, as partículas são “invisíveis a olho nu e indetetáveis pelas estações de medição da Agência Portuguesa do Ambiente (APA)”, mas “podem atingir rapidamente a corrente sanguínea e, através dela, qualquer órgão do corpo humano, sendo capazes de provocar doenças respiratórias, como a asma ou o cancro do pulmão, mas também danos neurológicos”.

“O cenário é particularmente preocupante pela proximidade a diversas zonas habitacionais em redor do aeroporto, nomeadamente nas freguesias de Camarate, Unhos e Apelação, Sacavém e Prior Velho e Moscavide e Portela, constituindo um local de excelência para a libertação de partículas ultrafinas”, lê-se no requerimento dos bloquistas.

O BE quer ainda saber que iniciativas o Governo está a planear tomar “para fazer face ao incremento do Aeroporto Humberto Delgado, que provocará um aumento do tráfego aéreo substancial e, consequentemente, um acréscimo da poluição daí decorrente e dos riscos para a saúde da população que habita nas zonas limítrofes”.

No mesmo sentido, a assembleia municipal de Loures aprovou esta quinta-feira uma recomendação para que o Governo proceda também à mitigação dos efeitos do ruído dos aviões do Aeroporto Humberto Delgado na população do concelho de Loures. “o ruído sonoro provocado pelos aviões é uma forte fonte de perturbação da qualidade de vida das pessoas, recordando ainda que este tipo de ruído se encontra ligado a doenças crónicas incluindo o stress”, salienta este órgão deliberativo.

Com a extensão do Aeroporto Humberto Delgado, a previsão é que o tráfego aéreo cresça para os 72 aviões por hora, o que corresponde a mais do que um avião por minuto.

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