[weglot_switcher]

BNP vence eleições no Bangladesh com maioria absoluta

Filho de ex-governantes prestes a tornar primeiro-ministro tem pela frente um país abalado pela instabilidade política e por uma economia pouco consolidada – que, para piorar, faz parte da ‘zona de guerra’ entre a China e os Estados Unidos.
Dhaka, Bangladesh
13 Fevereiro 2026, 10h08

O Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), da oposição, venceu as eleições parlamentares, regressando ao poder após quase duas décadas de ausência o líder do partido, Tarique Rahman – que agora segue para o cargo de primeiro-ministro. Filho da ex-primeira-ministra Khaleda Zia e do ex-presidente assassinado Ziaur Rahman, Tarique terá pela frente um país exangue em termos económicos, instabilidade política e uma sociedade ‘deslaçada’, herdada do colapso do governo da ex-primeira-ministra Sheikh Hasina em 2024.

Consideradas as primeiras eleições verdadeiramente competitivas do país sul-asiático nos últimos anos, deram ao BNP e seus aliados pelo menos 212 dos 299 lugares. A oposição, concentrada no partido Jamaat-e-Islami e seus aliados conquistaram 70 lugares no parlamento, Casa da Nação. Os resultados ainda não estão totalmente fechados.

Rahman, de 60 anos, e o seu partido mantiveram-se à parte de grandes celebrações. “Apesar de termos vencido por uma grande margem de votos, nenhuma procissão ou comício comemorativo será organizado”, afirmou o partido em comunicado. De acordo com a Constituição, o novo governo não pode ser empossado antes da divulgação em diário oficial dos resultados finais.

O Jamaat-e-Islami admitiu a derrota no final da noite de quinta-feira, assim que as tendências da votação ficaram claras, mas disse em comunicado que não está “satisfeito” com o processo eleitoral, apedar de ter apelado à contenção entre os seus seguidores. O partido conquistou seu maior número de cadeiras no parlamento, concorrendo pela primeira vez desde que foi proibido em 2013. A proibição foi suspensa após a destituição de Hasina.

Do seu lado, a vitória do BNP é uma das mais significativas, superando a vitória de 2001 (193 lugares), embora a Liga Awami de Hasina, que governou durante 15 anos e foi desta vez proibida de concorrer, tenha alcançado um total maior de 230 em 2008.

O Partido Nacional Cidadão (NCP), liderado por jovens ativistas que tiveram papel fundamental no derrube de Hasina, conquistou apenas cinco dos 30 lugares que disputou, sendo parte da aliança liderada pelo Jamaat.

Para os analistas, o expressivo resultado é visto como fundamental para a estabilidade do país de maioria muçulmana de 175 milhões de habitantes, após meses de agitação anti-Hasina, que desestabilizou a sociedade e a economia, incluindo o incontornável setor da produção de vestuário – o Bangladesh é o segundo maior exportador de vestuário do mundo. O BNP prometeu priorizar a criação de empregos, proteger famílias de baixo rendimento e e garantir preços justos para a produção agrícola.

A participação superou os 42% da última eleição em 2024. Os boletins de voto contavam com 50 diferentes partidos. A votação em uma circunscrição era adiada após a morte de um candidato.

Paralelamente às eleições, foi organizado um referendo sobre reformas constitucionais. Mais de dois milhões de eleitores escolheram ‘Sim’, e apenas 850 mil optaram pelo ‘Não’. As mudanças propostas incluem limites de dois mandatos para primeiros-ministros, maior independência judicial, representação feminina, a possibilidade de criação de governos interinos neutros durante períodos eleitorais e a criação de uma segunda câmara de 300 lugares.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o primeiro-ministro do Paquistão Shehbaz Sharif e o embaixador dos EUA em Bangladesh, Brent T. Christensen, estiveram entre os primeiros a dar os parabéns a Rahman pela vitória – o que perspetiva um apoio externo que será crucial para a recuperação do país. Índia, China e Estados Unidos disputam influência no Bangladesh – o que tem sido visto como uma constante interferência interna: o país está na linha da frente do combate comercial que envolve China e Estados Unidos.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.