Boeing entregou até setembro menos 67% de aviões que em 2019

As perdas acumuladas pelo gigante de Chicago de janeiro a setembro rondam os -3,5 mil milhões de dólares (cerca de 2,9 mil milhões de euros) e o trabalho em atraso no terceiro trimestre de 2020 é quantificado pela Boeing em 332,5 mil milhões de euros. As suas receitas no terceiro trimestre ficaram-se pelos 11,9 mil milhões de euros, menos 29% que em igual trimestre de 2019.

A gigante norte-americana Boeing divulgou esta quarta-feira, 28 de outubro, os resultados do terceiro trimestre, reportando uma quebra homóloga de receitas de 29%, correspondentes a 14,1 mil milhões de dólares (cerca de 11,9 mil milhões de euros), face aos 19,9 mil milhões de dólares (cerca de 16,8 mil milhões de euros) registados no terceiro trimestre de 2019.

Esta quebra de receitas determina uma perda por ação de 0,79 dólares (ou 0,66 euros) segundo as normas contabilísticas GAAP (Generally Accepted Accounting Principles), ou uma perda por ação (segundo normas não-GAAP) de 1,39 dólares (ou 1,17 euros), refletindo, de acordo com a Boeing, “um menor volume de entregas comerciais e de serviços devido aos efeitos da pandemia de Covid-19”, indica a Boeing.

“O ‘backlog’ – o fluxo de trabalho atrasado – total da empresa no final do terceiro trimestre de 2020 era de 393 mil milhões de dólares (cerca de 332,5 mil milhões de euros)” refere a Boeing. De janeiro a setembro deste ano a companhia entregou menos 67% de aviões que em igual período de 2019 e diz que tem em carteira – que ainda não fabricou –, 4.300 aviões.

As perdas líquidas da Boeing no terceiro trimestre de 2020 ascenderam a -466 milhões de dólares (cerca de -394,3 milhões de euros ) ou -449 milhões de dólares atribuíveis aos acionistas, o que compara com um lucro de 1,1 mil milhões de dólares (cerca de 0,9 mil milhões de euros) obtido em igual período de 2019.

No acumulado de janeiro a setembro de 2020, as perdas da Boeing ascendem -3,5 mil milhões de dólares (cerca de 2,9 mil milhões de euros) ou -3,4 mil milhões de dólares atribuíveis aos acionistas, o que compara com um lucro de 374 milhões de dólares (cerca 316,4 de mil milhões de euros) registado nos nove primeiros meses de 2019.

De janeiro a setembro de 2020, as receitas da companhia ficaram-se pelos 42,8 mil milhões de dólares (cerca de 36,2 mil milhões de euros), menos 27% que os 58,6 mil milhões de dólares (cerca de 49,5 mil milhões de euros) registados no período homólogo de 2019.

No período em análise, a Boeing reportou um cash-flow operacional negativo de -4,8 mil milhões de dólares (cerca de -4,06 mil milhões de euros), o que traduz um agravamento face ao cash flow operacional negativo registado no terceiro trimestre do ano passado, que era de -2,4 mil milhões de dólares (cerca de -2,03 mil milhões de euros).

“O dinheiro em caixa e os investimentos em títulos negociáveis diminuíram para 27,1 mil milhões de dólares no final do terceiro trimestre de 2020, o que compara com os 32,4 mil milhões que a Boeing registava no início deste trimestre”, refere a companhia norte-americana. A dívida da Boeing ascende a 61,0 mil milhões de dólares, ligeiramente inferior à que era reportada – 61,4 mil milhões de dólares – no início do trimestre, o que a Boeing justifica pelo “pagamento de dívidas vincendas”.

O setor de produção de aviões comerciais da Boeing “entregou 28 aviões durante o terceiro trimestre”, menos 55% que os 62 aviões que a companhia entregou em igual período de 2019. De janeiro ao final de setembro de 2020, a Boeing entregou 98 aviões comerciais, menos 67% que os 301 aviões que tinha entregue nos nove primeiros meses de 2019, revelou a companhia sediada em Chicago, adiantando que a sua carteira de encomendas para aviões comerciais incluiu mais de 4.300 aviões avaliados em 313 mil milhões de dólares (cerca de 264,8 mil milhões de euros).

Segundo dados da Boeing, os 301 aviões que entregou nos nove primeiros meses de 2019 geraram receitas de 24,7 mil milhões de dólares, e em igual período deste ano as receitas correspondentes à entrega de 98 aviões comerciais apenas totalizaram 11,4 mil milhões de dólares, ou seja, menos 54%. A receita das vendas dos 28 aviões que a Boeing entregou no terceiro trimestre de 2020 ficaram-se pelos 3,6 mil milhões de dólares, contra 8,2 mil milhões realizados em igual trimestre de 2019.

“A receita obtida com a venda de aviões comerciais no terceiro trimestre diminuiu para 3,6 mil milhões, refletindo o menor volume de entregas, principalmente devido aos impactos do Covid-19, bem como a problemas de qualidade do 787 e às reparações relacionadas com estes modelos”, refere a companhia.

“A margem operacional do terceiro trimestre diminuiu para -38,1% (quando era de -0,5% no terceiro trimestre de 2019), impulsionada principalmente pelo menor volume de entregas, bem como pelos 590 milhões de dólares de custos de produção ‘anormais’ relacionados com o programa dos modelos 737”, adiantou a Boeing. Já em outubro, a Boeing decidiu que “consolidará a produção do modelo 787 na Carolina do Sul em meados de 2021, o que não teve um impacto financeiro significativo no programa no terceiro trimestre”, refere a empresa de Chicago.

“A pandemia global continuou a aumentar a pressão nos nossos negócios durante o terceiro trimestre, por isso estamos alinhados a essa nova realidade, gerindo a nossa liquidez em função desta realidade e transformando a nossa empresa para ser mais resiliente e sustentável no longo prazo”, comentou o presidente e CEO da Boeing, David Calhoun.

“O nosso portefólio é diversificado, incluindo os nossos serviços governamentais, a área da Defesa e os programas espaciais, o que continua a fornecer alguma estabilidade à Boeing, enquanto nos adaptamos e reconstruímos a atividade em função das oportunidades detetadas nesta conjuntura da pandemia”, realçou David Calhoun.

“Continuamos focados na saúde e segurança dos nossos funcionários e das suas comunidades”, adiantou o presidente da Boeing, manifestando-se “orgulhoso com a dedicação e o compromisso que as nossas equipas têm demonstrado ao continuarem a responder às necessidades dos nossos clientes”.

“Apesar dos ventos contrários sentidos no curto prazo, continuamos confiantes no futuro da Boeing no longo prazo e estamos focados em sustentar investimentos críticos e ações significativas para fortalecer a nossa cultura de segurança, melhorar a transparência e reconstruir a confiança”, referiu David Calhoun na apresentação de resultados efetuada na manhã de 28 de outubro.

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