Bolsa portuguesa não escapa à conjuntura das congéneres europeias “condicionadas” pelas praças asiáticas

No PSI 20, dezasseis empresas cotadas desvalorizam, uma valoriza e outra negoceia sem variação.

O principal índice bolsista português (PSI 20) perde 0,86%, para 5.258,34 pontos, em linha com as principais praças europeias esta terça-feira, 21 de janeiro. Na Europa, as praças negoceiam “condicionadas” depois de a agência de notação financeira Moody’s ter revisto em baixa o rating da dívida de Hong Kong, analisou o Mtrader do Millennium BCP, Ramiro Loureiro.

“Isto, um dia depois do FMI ter cortado as projeções de crescimento económico global, ainda que continue a antecipar uma aceleração em 2020 e 2021, suportada pelas economias emergentes”, acrescentou.

Também do Japão chegam dados que influenciam os investidores europeus. O Banco Central do Japão (BOJ) decidiu manter a política monetária, fixando a taxa de juro de referência nos -0,1%. O BOJ decidiu também manter o montante do plano de compra de ativos, “que comtempla a aquisição de cerca de 80 biliões de ienes anualmente (valor em notação europeia)”, segundo Ramiro Loureiro.

Por outro lado, os investidores veem como “nota mais positiva”, as tréguas entre França e Estados Unidos no conflito comercial de tarifas comerciais. O presidente francês Emmanuel Macron e o seu homólogo Donald Trump

Numa nota mais positiva o presidente francês, Emmanuel Macron e o presidente norte-americano, Donald Trump, decidiram dar tréguas no conflito comercial de tarifas digitais, onde nenhum dos países irá avançar com novas imposições em 2020.

No PSI 20, dezasseis empresas cotadas desvalorizam, uma valoriza e outra negoceia sem variação. As quedas das papeleiras Altri (-0,88%), Navigator (-1%) e Semapa (-1,20%), da Galp (-1,59%), dos CTT (-1,26), da Mota-Engil (-1,28%) e do BCP (-0,63%) pressionam a praça portuguesa.

De acordo com os analistas do BPI, os títulos do BCP, da Mota-Engil e dos CTT vão continuar a negociar num contexto de correção. “Para o BCP, o suporte na zona dos 0,1880 euros será atentamente monitorizado, pois se este nível for quebrado poderá sinalizar, do ponto de vista técnico, a continuação do atual movimento descendente”, apontam os analistas do BPI.

A Mota-Engil depara-se com um cenário “muito semelhante” ao do BCP, sendo o suporte de referência a zona dos 1,79 euros.

Já os CTT encontram-se com um enquadramento técnico “pouco diverso do das outras ações”. “A tendência de fundo é nitidamente positiva, sendo o recente recuo apenas uma correção técnica após uma subida acentuada. Neste sentido, uma eventual quebra da zona de suporte dos 3,09 euros não invalidará a tendência de fundo positiva. Uma hipotética quebra dos 3,09 euros sinalizará, do ponto de vista técnico, que a correção em curso é mais profunda do que inicialmente antecipado”, lê-se na análise do BPI.

 

 

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