Brexit: documento secreto revela período caótico em caso de ‘no deal’

É o que indica um documento confidencial do governo britânico obtido e divulgado pelo jornal britânico “The Guardian”.

Neil Hall / EPA

A extensão e o alcance de um Brexit sem acordo é revelado num documento confidencial do Governo britânico, que avisa sobre uma “fase crítica de três meses” depois de deixar a UE.

O documento confidencial revelado pelo jornal “The Guardian” diz que os departamentos governamentais terão de combater a maioria dos problemas por si mesmos ou arriscar um colapso de “operação Yellowhammer ” – nome dado ao plano de contingência do governo de Theresa May, primeira-ministra, que será implementado caso o Brexit não se concretize

“A estrutura cairá rapidamente se demasiadas decisões forem desnecessariamente levadas aos níveis superiores, quando poderiam ter sido razoavelmente tratadas internamente”, escreve o jornal britânico. O documento também admite que há “probabilidade de imprevistos e impactos de um “no-deal” Brexit e que a operação Yellowhammer poderá ser incapaz de prever.

Uma saída sem acordo é um cenário provável e a possibilidade de haver uma interrupção na cadeia de fornecimentos e portos bloqueados devido à reposição de fronteiras fez com que as empresas e o Governo aumentassem os seus planos de contingências. De acordo com o documento, os setores dos transportes, Saúde, alimentação e fornecimento de água serão os mais atingidos. Agências e departamentos governamentais terão de trabalhar ‘non stop’ durante um largo período de tempo, acrescenta.

Há supostamente milhares de funcionários públicos a trabalhar em assuntos relacionados com o Brexit no Reino Unido e outros tantos vão ser eventualmente necessários mas na verdade “ninguém está preparado para um cenário de não-acordo”. É o que diz um funcionário público que trabalha para o Governo britânico, num artigo de opinião publicado no mês passado no jornal “The Guardian”. Não se identifica, mas diz integrar as fileiras da chamada “Operação Yellowhammer” [o nome da operação vem de um pássaro que está em vias de extinção].

Mas o “mais preocupante”, considera, “é que a maioria das pessoas nem sequer sabe quando é que vai mudar de setor e durante quanto tempo, nem o que irá fazer exatamente”.

Ontem, muitos manifestantes carregavam bandeiras e símbolos da União Europeia (UE), elogiando os laços de longa data entre o Reino Unido e a Europa continental. Segundo a organização, cerca de um milhão de pessoas marcharam contra o Brexit na capital londrina.

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