Brexit: Partido da Irlanda do Norte prefere ‘no deal’ a acordo com Bruxelas

“Não vamos deixar a primeira-ministra ou o grupo de ‘remainers’ [favoráveis à manutenção na União Europeia] forçar-nos a apoiar um acordo de ‘Brexit’ tóxico”, afirmou o deputado do DUP responsável pelo ‘Brexit’, Sammy Wilson, numa declaração publicada na rede social Twitter.

O partido da Irlanda do Norte DUP, aliado do Governo britânico, anunciou hoje que votará contra o acordo do ‘Brexit’ negociado com Bruxelas pela primeira-ministra Theresa May, mesmo que isso signifique adiar a saída por um ano.

“Não vamos deixar a primeira-ministra ou o grupo de ‘remainers’ [favoráveis à manutenção na União Europeia] forçar-nos a apoiar um acordo de ‘Brexit’ tóxico”, afirmou o deputado do DUP responsável pelo ‘Brexit’, Sammy Wilson, numa declaração publicada na rede social Twitter.

O DUP (sigla em inglês de Partido Unionista Democrático) é o maior dos partidos políticos da Irlanda do Norte e o quarto do Reino Unido.

A falta de apoio do DUP, em conjunto com os conservadores eurocéticos, levou a primeira-ministra britânica a suspender a intenção de submeter o Acordo de Saída a um terceiro voto no parlamento.

Numa crónica publicada no jornal The Daily Telegraph, Sammy Wilson adiantou que o DUP não apoia o acordo negociado por Theresa May a menos que passe a incluir medidas que impeçam uma ligação sem prazo do Reino Unido à UE.

Para Wilson, seria preferível um adiamento do ‘Brexit’ “por um ano”, que permitisse ao partido pronunciar-se sobre os temas que o afetam durante esse período.

“Poderíamos decidir sair unilateralmente ao fim desse período simplesmente ao não pedir uma nova extensão”, escreveu o deputado.

Para o dirigente unionista, essa “estratégia” seria melhor do que “aceitar voluntariamente” a “entrada na prisão do acordo de saída”, em que a “chave da porta da cela” está nas mãos do negociador-chefe da UE, Michel Barnier.

A par do Partido Conservador (eurocético), os dez deputados do DUP – que sustentam a maioria do Governo conservador na Câmara dos Comuns – têm criado os maiores obstáculos à primeira-ministra no objetivo de sair da UE, tendo descredibilizado o acordo negociado por Theresa May com Bruxelas.

Na semana passada, o Conselho Europeu concordou com uma prorrogação da data de saída do Reino Unido da UE até 22 de maio de 2019, desde que o Acordo de Saída seja aprovado pela Câmara dos Comuns até sexta-feira.

Se isso não acontecer, o Conselho Europeu estipulou uma prorrogação até 12 de abril de 2019 e disse que esperava que o Reino Unido indicasse um caminho a seguir antes dessa data para a consideração dos líderes europeus.

O Acordo foi chumbado pelo parlamento britânico a 12 de março por 391 votos contra e 242 votos a favor, uma diferença de 149 votos, repetindo o chumbo de janeiro por 432 votos contra e 202 contra, uma margem histórica de 230 votos.

Na quarta-feira, o parlamento britânico deverá debater alternativas ao Acordo negociado pelo governo com Bruxelas e chumbado duas vezes.

Na segunda-feira, Theresa May admitiu que o Governo continua sem apoio suficiente para fazer aprovar no parlamento o Acordo de Saída na Câmara dos Comuns, mas disse que continua a ter discussões com líderes e deputados de todos os partidos para tentar encontrar um consenso.

Ler mais
Relacionadas

Cidadãos da União Europeia à espera da lei que os coloca a salvo do Brexit

Relatório de uma comissão conjunta dos Comuns e dos Lordes enfatiza que o governo britânico tem de legislar para promover a proteção dos cidadãos europeus que vivem no Reino Unido.

Brexit: Marcelo pronto para promulgar “imediatamente” plano de contingência

O Presidente da República afirmou hoje que promulgará “imediatamente” o Plano de Contingência preparado para o Governo, para fazer face à eventual saída do Reino Unido da União Europeia.

Brexit: Theresa May pode estar próxima da saída

Todas as portas se fecham: Conservadores, Trabalhistas, Unionistas irlandeses e o seu próprio grupo parlamentar estão longe de acompanhar a primeiro-ministra nesta fase do debate sobre o Brexit, onde é o caos que impera.
Recomendadas

PremiumFuturo de Espanha decide-se a partir de Estremera

Hegemonia da ERC na Catalunha pode levar a maioria absoluta de esquerda liderada pelo PSOE de Pedro Sánchez, juntando também o Unidos Podemos.

Joana e Mariana Mortágua: “Leva o Bolsonaro para ao pé do Salazar”

“Ó meu rico Santo António, ó meu santo popular, leva lá o Bolsonaro, leva lá o Bolsonaro para ao pé do Salazar”. É assim a letra da música, que envolve o presidente do Brasil, cantada pelas deputadas do Bloco de Esquerda durante uma marcha do 25 de abril. A música foi cantada na presença de Catarina Martins, de Marisa Matias e de um deputado francês. O ditador António de Oliveira Salazar morreu em 1970.

Barclays passa de lucros a prejuízos e admite mais cortes de custos

Ainda segundo os resultados hoje conhecidos as receitas caíram 2% para 5,25 mil milhões de euros de libras (6,1 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual), o que levou o banco a admitir que terá de reforçar o cortar custos se a queda de receitas persistirem no resto do ano.
Comentários