Brexit: Pedidos de nacionalidade portuguesa disparam 150%

Referendo gerou aumento do número de britânicos que pedem cidadania noutros países da UE. Em Portugal, pedidos atingiram recorde.

O referendo que levou à vitória da saída do Reino Unido da União Europeia está a provocar um fenómeno migratório curioso. O número de cidadãos britânicos que pediram nacionalidade de outro país da União Europeia (UE) aumentou de forma assinalável este ano, mostrando que os britânicos que vivem no estrangeiro têm receio de perder direitos nos países onde estão. Portugal aparece no grupo de países onde o aumento é maior.

Um levantamento feito pelo “Guardian” a nível europeu mostrou que, pelo menos, 2800 cidadãos britânicos pediram nacionalidades noutros Estados-membro da UE, este ano. Segundo o jornal, que conseguiu dados de 18 países, aquele valor representa um “enorme” aumento face ao registo de anos anteriores, o que se explica pelo referendo. São sobretudo cidadãos que vivem e trabalham no estrangeiro há anos. “Têm desfrutado das vantagens que chegam automaticamente com a pertença da Grã-Bretanha à UE – e querem mantê-los”, escreve a repórter Sophia Schirmer.

Dinamarca, Itália, Irlanda e Suécia são os países com mais pedidos. O “Guardian” não conseguiu dados de Portugal, mas o Jornal Económico obteve-os junto do Ministério da Justiça. E, num país em que a comunidade de britânicos se faz notar em zonas como o Algarve, a tendência é precisamente a mesma. Já houve 55 cidadãos britânicos a pedirem nacionalidade portuguesa este ano, até final de setembro. Ainda com quatro meses por registar, já há um aumento de 150% face ao total do ano passado.

Stephen Booth, do Open Europe, concorda que este movimento está relacionado com o ‘Brexit’. “Há uma discussão sobre se o Governo do Reino Unido dará os mesmos direitos aos cidadãos da UE que ali residem, mas os cidadãos britânicos no estrangeiro também enfrentam essa incerteza. É algo que deveria ser resolvido muito cedo neste processo, porque há um número elevado de pessoas, quer no Reino Unido, quer no estrangeiro, que gostariam de saber qual vai ser o futuro.”

Booth, especialista em temas europeus, frisa, contudo, que as sondagens noReino Unido mostram um elevado apoio a que os cidadãos da UE que ali residem mantenham os empregos e os direitos de cidadania. “Há questões legais e administrativas que terão de ser acauteladas, mas não será uma medida controversa de tomar”.

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