Bruxelas está ainda mais pessimista sobre crescimento da economia portuguesa. Apenas 1,7%

Nas previsões de Inverno, a Comissão Europeia projeta uma expansão de 1,7% da economia portuguesa este ano e em 2020, abaixo da meta do Governo de 2,2%. Em relação à inflação, salienta que a subida nos preços da habitação deverá moderar devido à maior oferta e menor procura externa.

A Comissão Europeia (CE) reviu em baixa ligeira as previsões de crescimento da economia portuguesa para este ano devido a uma contribuição mais fraca das exportações. Bruxelas, mostra-se, desta forma, ainda mais pessimista que o Governo português sobre a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019.

No Winter 2019 Economic Forecast, publicado esta quinta-feira, dia 7 de fevereiro, Bruxelas projeta uma desaceleração do crescimento do PIB para 1,7%, abaixo dos 1,8% das previsões de outono e da meta de 2,2% inscrita no Orçamento do Estado para 2019 (OE2019).

“A expansão económica deverá moderar mais devido principalmente a uma contribuição mais fraca das exportações líquidas. O crescimento do consumo privado deverá diminuir apenas marginalmente enquanto o investimento é previsto acelerar ligeiramente, apoiada por uma maior absorção dos fundos da UE”, refere a CE.

Bruxelas identifica ainda como riscos o aumento da incerteza global, com “repercussões negativas nas decisões de investimento das empresas”.

Para 2020, projeta também uma expansão de 1,7%, enquanto para 2018 estima que o PIB se tenha fixado em 2,1%. Relativamente ao último trimestre do ano passado, estima uma expansão económica de 2,1%, consequência de uma menor procura externa.

“Apesar de alguns desaceleração, o crescimento do consumo privado continuou forte, apoiada pela criação sustentada de empregos e crescimento salarial moderado”, salienta, destacando ainda os níveis de investimento. “Ao mesmo tempo, o crescimento das exportações diminuiu substancialmente, embora de uma base alta, refletindo uma procura mais fraca dos parceiros comerciais e da produção em alguns setores industriais”.

Inflação deverá aumentar ligeiramente 

Relativamente à inflação em Portugal, Bruxelas prevê que depois de alguma volatilidade em 2018 – ano em que registou uma média de 1,2% -, acelere ligeiramente para 1,3% este ano e para 1,6% em 2020, impulsionada pelo  crescimento dos salários.

A CE explica que a recente recuperação na construção residencial contribuiu para “alguma moderação na inflação dos preços da habitação” para 8,5% no terceiro trimestre de 2018, após um pico de 12,2% no início do ano.

“Os preços das casas prevê-se que moderem ainda mais durante o período de previsão, reflectindo uma recuperação gradual da oferta, juntamente com algum abrandamento na procura externa”, conclui.

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