Bruxelas já angariou nos mercados 54 mil milhões de euros para a ‘bazuca’

Comissão Europeia aponta que esta quarta emissão obrigacionista, a sete anos, foi um sucesso, com a procura a superar 11 vezes a oferta, o que, segundo a Comissão Europeia, “confirma o interesse permanente dos investidores em títulos da UE”.

A Comissão Europeia angariou esta terça-feira nove mil milhões de euros na sua quarta emissão de dívida para financiar o pacote de recuperação “NextGenerationEU”, elevando o total desde o início do programa, em junho, para 54 mil milhões de euros.

Em comunicado, o executivo comunitário aponta que esta quarta emissão obrigacionista, a sete anos, foi um sucesso, com a procura a superar 11 vezes a oferta, o que, segundo a Comissão Europeia, “confirma o interesse permanente dos investidores em títulos da UE”.

Saudando o sucesso de mais esta emissão, à imagem do sucedido nas anteriores três idas aos mercados, o comissário responsável pelo Orçamento, Johannes Hahn, comentou que “esta quarta transação permite à Comissão manter um fluxo constante de financiamento aos Estados-Membros, apoiar a recuperação e ajudar a reconstruir uma Europa mais verde, mais digital e mais resiliente”.

Para financiar a recuperação da crise económica e social provocada pela pandemia da covid-19, a Comissão Europeia vai contrair, em nome da UE, empréstimos nos mercados de capitais até 750 mil milhões de euros a preços de 2018 – cerca de 800 mil milhões de euros a preços correntes –, o que se traduz em cerca de 150 mil milhões de euros por ano, em média, entre meados de 2021 e 2026, fazendo da UE um dos principais emissores.

Este ano, Bruxelas espera chegar aos 80 mil milhões de euros, tendo previstas duas novas emissões de dívida, em outubro e novembro, a serem complementados por dezenas de milhares de milhões de euros de títulos de curto prazo da UE.

Na semana passada, o executivo comunitário anunciou também que vai avançar com a emissão de 250 mil milhões de euros em obrigações ‘verdes’ até 2026 para financiar a recuperação pós-crise e atrair investimentos sustentáveis na UE como eficiência energética.

Até ao momento, a Comissão Europeia já disponibilizou quase 49 mil milhões de euros em pagamentos iniciais feitos a 11 países da UE de pré-financiamento (13% do montante global dos programas nacionais de recuperação), sendo eles Portugal (2,2 mil milhões), Luxemburgo (12,1 milhões), Bélgica (770 milhões), Grécia (quatro mil milhões), Itália (24,9 mil milhões), Lituânia (289 milhões), Espanha (nove mil milhões), França (5,1 mil milhões), Alemanha (2,25 mil milhões), Dinamarca (201 milhões) e Chipre (153 milhões).

Portugal foi o primeiro Estado-membro a entregar formalmente em Bruxelas o seu Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para aceder aos fundos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência – elemento central do pacote “NextGenerationEU” acordado na UE para superar a crise da covid-19 – e o primeiro a vê-lo aprovado, sendo também dos primeiros países a receber verbas.

O PRR português, que recebeu ‘luz verde’ da Comissão em 13 de junho e foi formalmente aprovado pelo Conselho Ecofin exatamente um mês depois, tem um valor global de 16,6 mil milhões de euros, designadamente 13,9 mil milhões de euros em subvenções a fundo perdido e 2,7 mil milhões empréstimos em condições favoráveis.

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