A Comissão Europeia deverá anunciar esta terça-feira, 16 de dezembro, que vai autorizar as vendas de carros a combustão interna além de 2035. O fim das vendas a partir desta data pressionou a indústria automóvel europeia nos últimos anos que teve de acelerar a transição para a mobilidade elétrica.
A “Reuters” revelou que o fim das vendas de carros térmicos pode ser atirada para 2040 ou mesmo cancelada de vez. A Comissão Europeia pretende aumentar o peso dos veículos elétricos nas frotas de empresas, que pesam 60% nas vendas na Europa. A Comissão deverá também propor uma nova categoria fiscal para carros elétricos mais pequenos, com menos impostos e créditos extra para as metas de CO2.
Já o “Financial Times” noticiou que a proposta deverá permitir 10% dos níveis de emissões registados em 2021, desde que cumpram certas condições, como usar aço verde ou produzir carros elétricos com um pequeno motor térmico de apoio.
Qualquer alteração terá de ser apoiada pelos países da UE e pelo Parlamento Europeu antes de ser aprovada.
As vendas de carros elétricos na UE dispararam 26% até outubro, pesando 16% nas vendas. A chegada de modelos mais baratos, tanto europeus como chineses, tem ajudado a este crescimento.
Os maiores fabricantes automóveis europeus, a par da Alemanha e da Itália, pressionaram Bruxelas para alterar a data. O chanceler alemão defendeu recentemente o fim deste cancelamento. “A realidade é que vão haver milhões de carros térmicos em todo o mundo em 2035, 2040 e 2050”.
Países como Espanha e França já mostraram o seu apoio ao fim dos motores térmicos, considerando que o futuro da indústria europeia vai ser “elétrico” e que a meta “não deve ser questionada”. Mas defenderam a criação de super-créditos, isto é, os componentes europeus contribuem para as metas.
A legislação data de 2023 quando foi aprovado que a partir de 2035 as vendas de carros e de carrinhas na UE teriam de ser livres de emissões.
“A Comissão Europeia vai avançar com uma proposta clara para abolir o fim dos motores a combustão. Foi um sério erro de política industrial”, disse o líder do Partido Popular Europeu, Manfred Weber.
À medida que as marcas chinesas de carros elétricos apertaram o cerco à indústria automóvel europeia, marcas como a Volkswagen e a Stellantis tentaram aliviar as metas.
A revolução elétrica tem sido dominada por marcas exteriores à UE, como a americana Tesla ou a chinesa BYD.
As marcas europeias tentam arrepiar caminho, mas a procura não está lá ainda. Preços mais caros, falta de autonomia, rede de carregamentos insuficiente, todos estes fatores pesam na hora de comprar um veículo elétricos.
A pressão europeia sobre os carros chineses, com a imposição de tarifas, só vieram complicar num momento em que as marcas chinesas oferecem preços competitivos: Bruxelas quer apostar na mobilidade elétrica, mas impede os europeus de terem acesso a modelos mais competitivos? A bota não batia com a perdigota.
Em março deste ano surgiu um sinal: a Comissão atrasou em 3 anos as metas previstas para 2025.
As marcas automóveis planeiam manter as vendas de carros a combustão com híbridos plug-in, equipados com biocombustíveis ou combustíveis sintéticos.
Mais. As marcas europeias têm argumentado que o ritmo da transição foi mais lento do que o esperado… e que os carros elétricos geram menos lucro face aos térmicos.
“O futuro é elétrico. Mas para chegar lá é preciso mais flexibilidade para garantir que se consegue entregar aos clientes o que realmente querem”, disse recentemente o presidente da marca Volkswagen Thomas Schafer.
“Recomendamos uma abordagem multi-tecnologia”, pois o motor a combustão “vai cá andar para o resto do século”, disse à “Reuters” Todd Anderson da companhia de sistemas de combustível para motores térmicos.
Mas há um reverso da medalha, o setor do carro elétrico tem vindo a desenvolver-se a velocidade cruzeiro e a decisão pode prejudicar o investimento nos próximos anos.
“Vai ter um efeito”, avisou Rick Wilmer da empresa de componentes para carregamentos ChargePoint.
Os fabricantes querem que a meta para 2030 de redução de emissões poluentes em 55% para automóveis seja alargada ao longo de vários anos.
A Alemanha defende que o uso de componentes de baixo carbono na produção do veículo seja contabilizado na hora de reduzir emissões.
Simone Tagliapietra do think-tank Bruegel considera que manter os carros térmicos seria um “grande erro para a Europa. Faria pouco para ajudar os fabricantes automóveis, pois a eletrificação é o futuro da indústria e colocaria em sério risco a reputação da Europa como um líder global no combate às alterações climáticas”, disse, citado pelo “FT”.
Já os ambientalistas defendem que as metas devem manter-se. “A Europa deve manter-se no rumo do elétrico que é claramente o futuro”, disse William Todts do grupo T&E.
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