Bruxelas vê coronavírus como “novo risco”, mas “ainda é cedo” para avaliar o impacto económico

Comissão Europeia considera positivo os avanços nas negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos, assim como o fim do impasse em torno do Brexit, mas identifica o coronavírus como um novo risco descendente para a economia da zona euro.

A Comissão Europeia vê a economia da zona euro a crescer 1,2% este ano e em 2020 e 1,4% para a União Europeia a 27, uma décima abaixo do último relatório. Nas previsões intercalares de inverno, divulgadas esta quinta-feira, Bruxelas considera que os riscos continuam descendentes, salientando o impacto que o coronavírus poderá ter na economia.

“O outlook para a economia europeia é estável, ainda que moderado nos próximos dois anos”, referiu Paolo Gentiloni, Comissário europeu para a Economia, sublinhando os avanços para atenuar as tensões comerciais e o evitar de um Brexit sem acordo. No entanto, identificou que “continuamos a enfrentar uma significativa incerteza política”.

Apesar de ter considerado que “é demasiado cedo para avaliar a dimensão do impacto económico negativo” do coronavírus, Bruxelas identifica no relatório que este “é um novo risco negativo”, devido às “implicações para a saúde pública, atividade económica e o comércio, especialmente na China”.

“A suposição inicial é que o pico do surto seja no primeiro trimestre, com repercussões globais relativamente limitadas. Quanto mais durar, contudo, maior é a probabilidade dos efeitos indirectos no sentimento económico e nas condições financeiras”, pode ler-se no relatório.

Por outro lado, Bruxelas destaca que a assinatura do acordo parcial entre os Estados Unidos e a China contribuiu para reduzir os riscos descendentes, ainda que um elevado grau de incerteza continue a pairar sobre a política comercial norte-americana. Também o fim impasse em torno do Brexit é identificado como positivo, mas sublinha que continuar a existir “considerável incerteza” sobre a futura relação com o Reino Unido.

Valdis Dombrovskis, vice-presidente executivo para a Economia, destacou que “apesar do ambiente desafiador, a economia europeia continua num trajetória consistente, com a criação contínua de postos de trabalho e crescimento salarial”.

“Mas devemos estar conscientes dos riscos potenciais no horizonte: uma maior volatilidade no cenário geopolítico aliado às incertezas comerciais”, acrescentou, apelando aos Estados-membros para implementar reformas estruturais que permitam aumentar o crescimento e a produtividade. Já aos países com elevada dívida pública recomenda “políticas orçamentais prudentes”.

[Atualizado às 10h12]

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