Cabo Verde “é uma aposta a longo prazo” para empresas portuguesas, diz Aicep

Atualmente, Cabo Verde ocupa o 24.º lugar enquanto cliente de Portugal e a 102.ª posição como fornecedor, consolidando a sua posição como o segundo mercado mais importante para as exportações portuguesas, no contexto económico dos PALOP.

Joaquim Morgado/ICPT

O presidente da AICEP disse esta quarta-feira que o mercado de Cabo Verde “é uma aposta a longo prazo para as empresas portuguesas”, que nos últimos anos têm contribuído “reconhecidamente” para o desenvolvimento daquele país, de modo contínuo e inovador.

Luís Castro Henriques, que falava hoje de manhã, na sessão de abertura do webinar Portugal – Cabo Verde: Oportunidades de Negócio e de Investimento, iniciativa promovida pela AICEP – Agência para o Comércio Externo de Portugal, em parceria com a sua congénere Cabo Verde Trade Invest, considerou que os empresários portugueses “estão particularmente atentos aos novos desafios e oportunidades de negócio” naquele país.

Este interesse é “praticamente transversal a todos os setores de atividade”, mas com “especial destaque para as energias renováveis e ambiente, economia do mar, construção, tecnologias de informação, agroindustrial e turismo”, acrescentou.

Assim, “o mercado de Cabo Verde é uma aposta a longo prazo para as empresas portuguesas, que nos últimos anos têm contribuído reconhecidamente para o desenvolvimento de Cabo Verde de uma forma contínua e inovadora”, afirmou.

Na sua intervenção, Castro Henriques fez referência a alguns números que retratam o estado das relações económicas bilaterais entre os dois países, sublinhando que Cabo Verde “é um parceiro fundamental para Portugal”.

“Cabo Verde é um parceiro fundamental para Portugal. Preside à CPLP e está a dinamizar a cooperação económica nestes mercados, algo que é muito relevante para a AICEP”, sublinhou o presidente desta entidade.

“Estamos a trabalhar em conjunto para incrementar a colaboração bilateral e multilateral, na definição de prioridades nas matérias relevantes” para as empresas cabo-verdianas e portugueses com atividades nos dois países e na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Atualmente, Cabo Verde ocupa o 24.º lugar enquanto cliente de Portugal e a 102.ª posição como fornecedor, consolidando a sua posição como o segundo mercado mais importante para as exportações portuguesas, no contexto económico dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), logo a seguir a Angola, referiu.

E, apesar do impacto negativo causado pela pandemia de covid-19 na economia global, que se “fez sentir fortemente na economia de Cabo Verde”, a balança comercial de bens de Portugal com aquele país “alcançou em 2020 o seu melhor ano de sempre”, com as exportações a registarem um crescimento de (6,1%). O que reforçou o papel de Portugal como principal parceiro económico de Cabo Verde.

Segundo Castro Henriques, a AICEP tem tido “a preocupação permanente” de disponibilizar informação relevante e atualizada sobre as condições do mercado e o seu ambiente de negócios face à evolução da pandemia, o que “se revelou de crucial importância” para as quase três mil empresas portuguesas que exportam atualmente para Cabo Verde e mais de uma centena com projetos de investimento e presença no mercado cabo-verdiano.

Ao mesmo tempo, disse, a AICEP tem procurado, “de uma forma sistematizada”, contribuir para alargar a base de empresas exportadoras, através da identificação de potenciais clientes, importadores e distribuidores.

O responsável assegurou ainda que logo que a situação da pandemia o permita voltarão a organizar-se missões empresariais àquele mercado, iniciativas que “muito contribuem para a criação de parcerias entre empresas dos dois países”.

Luis Castro Henriques realçou ainda que a celebração do memorando de entendimento com a congénere cabo-verdiana da AICEP, a Cabo Verde Trade Invest, no ano passado, “permitiu fortalecer o apoio e a informação à disposição das empresas”, quer sobre o ambiente de negócios, quer sobre os incentivos fiscais e financeiros existentes, tornando-a mais acessível.

Com aquele memorando, também foi possível alcançar “uma maior coordenação de esforços com a finalidade de estabelecer uma rede de contactos empresariais que facilitem a circulação de informações sobre oportunidades de negócio”, concluiu.

Além das intervenções dos presidentes da AICEP e da Cabo Verde Trade Invest (CVTI), José Almada Dias, o evento contou também com a participação do delegado da AICEP em Cabo Verde, Paulo Borges, e com os testemunhos das experiências no mercado cabo-verdiano das empresas Academia do Código e do projeto Lusofonia Cabo Verde Eco-Resort.

A sessão de encerramento contou com as intervenções dos embaixadores de Cabo Verde em Portugal, Eurico Monteiro, e de Portugal em Cabo Verde, António Moniz.

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