Segunda-feira foi marcada pela reunião extraordinária da Câmara de Lisboa (CML), que tinha como objetivo discutir sobre o descarrilamento do Elevador da Glória e votar as medidas apresentadas pela coligação PSD/CDS-PP/IL, que lidera a CML.
O presidente da CML, Carlos Moedas, teve de abandonar a reunião ao final da manhã, devido a uma outra reunião com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, para se inteirar do estado dos feridos do incidente que ainda continuam internados.
Esta saída levou a críticas por parte do Partido Socialista, com o vereador Pedro Anastácio a considerar que “numa situação com esta gravidade o presidente deveria ter estado nesta reunião, e devia ter feito esta reunião e convocatória mais cedo”.
Esta reunião contou com a presença do presidente da Carris, e os vereadores tiveram oportunidade de o questionar sobre o incidente do elevador. Contudo, a maioria dos vereadores consideram que as dúvidas não foram todas dissipadas nesta reunião, uma vez que também ainda existem questões para as quais não existem respostas.
No final da reunião todas as propostas apresentadas pelo executivo de Carlos Moedas foram aprovadas, estando entre elas a a criação de um portal da transparência, com o objetivo de “disponibilizar toda a informação, todos os documentos que neste âmbito seja solicitado” e fazer uma “avaliação para o futuro, constituindo uma equipa para a conceção do novo sistema tecnológico deste elevador”.
A criação de um fundo de apoio municipal às vítimas, que servirá para “assegurar pagamentos de despesas às famílias das vítimas mortais e dos feridos graves e ligeiros na sequência desta ocorrência”. Foi também aprovada a homenagem ao guarda-freio, André Marques, com a “atribuição do seu nome a uma rua” da capital e a criação de um memorial coletivo. Assim como uma nova reunião com o presidente da Carris para responder a questões sobre este incidente.
Entrevista de Carlos Moedas gerou polémica
No domingo, dia 7 de setembro, o presidente da CML deu a sua primeira entrevista depois do acidente do elevador da Glória, onde disse ter responsabilidade política sobre este, contudo não podia interferir na gestão. Durante a mesma o político proferiu algumas críticas aos seus adversários políticos, tendo acusado o PS de Lisboa de “radicalização” e de “aproveitamento político” da tragédia.
Carlos Moedas “atacou” ainda a memória do ex-ministro Jorge Coelho, que se demitiu depois da queda da ponte de Entre-os-Rios.
Alexandra Leitão, candidata socialista à CML, também foi visada pelas palavras de Moedas, contudo a candidata referiu na segunda-feira que está “habituada aos ataques pessoais”. A candidata criticou o autarca lisboeta das suas “96 horas de inação”.
“Não convocou o executivo; foi para o Conselho de Ministros não se percebeu fazer o quê; não falou aos lisboetas e, quando falou, ontem, [em entrevista à SIC Notícias] foi para insultar e não para dar soluções”, vincou a candidata em declarações aos jornalistas.
Alexandra Leitão, que não pediu a demissão do autarca lisboeta, pediu ainda “mais esclarecimentos e o apuramento de responsabilidades. Não direi mais do que isto, nesta fase. Não é aproveitamento político. Pedir esclarecimentos é o que é exigido para que as pessoas restaurem a sua confiança e para honrar as vítimas”.
Deputados do Chega apresentam moção de censura a executivo de Carlos Moedas
O presidente do Chega, André Ventura, revelou que os deputados do partido apresentaram uma moção de censura ao executivo do presidente da CML, uma vez que considera que o presidente apresenta uma “falta de sentido de responsabilidade numa altura tão sensível como esta”.
Segundo o grupo municipal do Chega o “presidente da Câmara Municipal de Lisboa falhou no seu dever mais elementar: garantir a segurança da cidade e proteger a vida de quem nela habita, trabalha e visita. Não basta celebrar contratos de concessão: é preciso fiscalizar, agir preventivamente e assumir responsabilidades. Nada disso foi feito”.
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