“Canalhice”: Costa rejeita responder a Sócrates e diz que prefere falar de “bons exemplos”

Costa disse que hoje o dia era para falar dos “bons exemplos” como a judoca portuguesa Telma Monteiro que conquistou a 15ª medalha da sua carreira no campeonato europeu de judo em Lisboa. Sobre Sócrates, nem uma palavra: “São os bons exemplos que devemos ter presentes, que devemos seguir, que nos devem guiar”, afirmou o primeiro-ministro.

António Costa rejeitou hoje responder às críticas feitas por José Sócrates. O primeiro-ministro diz que prefere antes focar-se nos “bons exemplos” como Telma Monteiro, a judoca portuguesa que conquistou a 15ª medalha da sua carreira no campeonato europeu de judo que decorre em Lisboa.

“Hoje é o dia para falar de Telma Monteiro, são os bons exemplos que devemos ter presentes, que devemos seguir, que nos devem guiar”, disse o primeiro-ministro este sábado, 17 de abril, à margem da cerimónia de condecoração da judoca portuguesa que teve hoje lugar em Lisboa.

Esta semana, José Sócrates foi criticado pelo socialista Fernando Medina que o acusou de corroer o “funcionamento da democracia”. O autarca de Lisboa considera que Sócrates rompeu os “laços de confiança” entre eleitores e eleitores por ir enfrentar julgamento quando exercia funções como primeiro-ministro.

“É a primeira vez na nossa história que teremos em julgamento um ex-primeiro-ministro e, independentemente, da natureza mais ou menos extensa do crime sabemos que é um crime em exercício de funções com uma moldura penal significativa de cerca de 12 anos”, disse Fernando Medina na TVI.

Em resposta, José Sócrates qualificou as declarações de Medina de uma “profunda canalhice. O Partido Socialista devia ter vergonha de desconsiderar aquilo que são os direitos, liberdades e garantias fundamentais que fizeram a cultura política do PS em 1975 pela liberdade”, afirmou.

O antigo primeiro-ministro considera que Fernando Medina “não é a personagem essencial”, deixando acusações a António Costa e ao PS. “Essas declarações dizem tudo sobre o que realmente pensa a direção do Partido Socialista: que pode fazer uma condenação sem julgamento, sem defesa. Esquecer até o princípio da presunção de inocência base”, destacou Sócrates em entrevista à TVI.

José Sócrates foi acusado de três crimes de branqueamento de capitais e outros três por falsificação de documentos, segundo a decisão instrutória do juiz Ivo Rosa, que causou polémica por não ter sido acusado de corrupção.

O crime de branqueamento de capitais tem uma moldura penal de dois a 12 anos de prisão, enquanto o crime de falsificação de documentos pode ser punido com prisão entre um a cinco anos para um titular de cargo político.

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