Candidata a prefeita do Rio de Janeiro admira Marcelo Rebelo e tem Lisboa como modelo

Filha de imigrantes portugueses, a candidata foi criada no bairro da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, e lançou-se como uma alternativa da esquerda progressista pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), defendendo o diálogo e a participação popular na gestão.

A luso-brasileira Martha Rocha, candidata em segundo lugar nas sondagens para as eleições municipais do Rio de Janeiro, é admiradora do Presidente Marcelo Rebelo e considera Lisboa um exemplo de cidade moderna.

“O Presidente de Portugal é alguém que deve nos inspirar. Ele serve de inspiração pela sua simplicidade, pela sua identidade com o povo português (…) Eu vejo uma simplicidade, uma identidade com as questões do país, com as questões portuguesas que eu acho que deve ser copiada por todos os políticos brasileiros”, disse Martha Rocha, em entrevista à Lusa, que está empatada em segundo lugar nas sondagens com o atual prefeito, Marcelo Crivella.

Filha de imigrantes portugueses, a candidata foi criada no bairro da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, e lançou-se como uma alternativa da esquerda progressista pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), defendendo o diálogo e a participação popular na gestão.

Se vencer a corrida, Martha Rocha será a primeira mulher a administrar a ‘cidade maravilhosa’, mas, antes disso, terá de convencer a maioria de 4,8 milhões de eleitores desiludidos por escândalos de corrupção envolvendo a gestão da cidade e do estado.

Falando sobre projetos que poderiam servir de modelo numa futura gestão, a candidata indicou a reformulação digital de Lisboa como uma experiência inspiradora.

“Lisboa me inspira muito. Lisboa se fortaleceu com a possibilidade de ter start-ups, é uma cidade com 500 mil moradores e acho muito interessante este olhar de cidade global que me agrada profundamente”, disse.

“Acho que a grande lição que Portugal nos deu é a de um país bom para viver, bom para trabalhar e bom para investir. Quero, se for eleita prefeita, quem sabe, no meio do meu mandato, trazer para a cidade do Rio de Janeiro este espírito, esta ideia que Portugal projeta em todo o cenário mundial”, completou.

Antes de ingressar na política, Martha Rocha foi delegada e também a primeira mulher a comandar a Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Recordando o seu percurso, a luso-brasileira contou que enfrentou desafios enormes quando ingressou na Polícia Civil e lembrou que não houve, na história da capital ‘fluminense’, nenhuma mulher ocupando cargo de prefeita ou de vice-prefeita.

“A baixa representação da mulher na política brasileira, em todos os níveis, federal, estadual e municipal, é um pouco reflexo do quanto é difícil fazer uma campanha política”, ponderou.

“Ser a primeira mulher prefeita da cidade do Rio de Janeiro não será a minha tarefa mais difícil, mas aumenta a responsabilidade e o meu compromisso de tornar a vida das mulheres melhor”, acrescentou.

Sobre a segurança pública, um problema que é enorme na cidade do Rio de Janeiro, diariamente cravejada por balas perdidas disparadas em confrontos de grupos criminosos entre si ou com a polícia, pelos assaltos e os crimes violentos que aumentam a sensação de insegurança, a candidata considerou que o prefeito deve intervir em tudo que diz respeito ao território, mas recordou que este é um esforço partilhado com outras entidades administrativas.

Martha Rocha quer criar um gabinete de gestão integrada com outras forças de segurança do estado e do Governo central, além de aumentar a presença da guarda civil municipal nas ruas.

“A prefeitura pode sim contribuir no policiamento utilizando uma interlocução com as forças das policias, planeamento estratégico, tecnologia, monitorização e realizados de ações que inteligência, isto sem dúvida deve contribuir para redução dos indicadores de violência”, frisou Martha Rocha.

No que respeita à pandemia de covid-19, que já matou mais de 12 mil pessoas na cidade do Rio de Janeiro, de acordo com dados do Ministério da Saúde brasileiro, Martha Rocha fez críticas a gestão atual e promete que vai implantar mudanças, caso vença as eleições de 15 de novembro.

“O cidadão vivenciou durante todo este período, a partir do momento que foi declarado distanciamento social, em março, uma contradição de decisões. Pode tomar banho de mar, mas não pode ficar na areia. Liberaram o cinema, mas não pode vender pipoca (…) Esta instabilidade de decisões foi um problema”, avaliou.

Caso seja eleita, promete “seguir a ciência: Farei exatamente o que a ciência mandar”.

Por fim, a candidata luso brasileira disse que pretende apresentar um plano estratégico no início do próximo ano e também ouvir os profissionais da saúde, da educação, as famílias, os investigadores e o Ministério Publico para discutir a melhor forma de dar continuidade às atividades da Prefeitura se vencer as autárquicas do Rio de Janeiro.

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