Quais são as propostas dos candidatos à Câmara do Porto para fazer crescer a cidade?

Candidatos à presidência da Câmara do Porto querem apostar na habitação, turismo e transportes públicos. Mas também há promessas de criação de apoios e estruturas para o empreendedorismo.

As eleições autárquicas aproximam-se e os portugueses vão ter de escolher quais vão ser os próximos líderes das suas autarquias no domingo. No Porto, para fazer crescer a economia da cidade os candidatos têm medidas que se prendem com a habitação, turismo e transportes públicos.

Rui Moreira focado na captação de investimento

No arranque à campanha eleitoral à Câmara do Porto, o candidato independente e atual presidente destacou que vai estar focado na captação de investimento através da articulação com a Associação de Promoção do Investimento, Inovação e Desenvolvimento para a Região Norte. Rui Moreira também promete vir a criar uma ferramenta de informação da economia da cidade (BIA Porto).

Rui Moreira quer ainda apostar na obtenção de fundos europeus através do Gabinete de Gestão de Fundos Europeus e Instrumentos de Financiamento.

Vladimiro Feliz e um Porto mais sustentável 

No programa eleitoral do candidato apoiado pelo PSD, Vladimiro Feliz diz que, se for eleito, a sua meta para os primeiros 100 dias será “elaborar um Plano Estratégico para a Economia da Cidade 2030 (e para lá de 2030), com atualização trienal, criar o Conselho Estratégico para a Economia da Cidade, agilizar o apoio ao comércio e à prestação de serviços e criar o Gabinete de Apoio ao Investidor na Cidade, com a nomeação de um provedor dos investidores para famílias numerosas”.

Vladimiro Feliz também quer “identificar e atrair seis empresas-entidades, por vertente de atividade, geradoras de valor e emprego qualificado, realizar um evento anual de inovação e empreendedorismo, visando o fortalecimento de redes nesta temática” e ainda “aprofundar a ligação com as instituições que produzem e valorizam o conhecimento”.

Tiago Barbosa Ribeiro com prioridade para a habitação

Na apresentação do seu programa eleitoral à Câmara do Porto, o candidato do PS disse que “uma das principais prioridades é a habitação”, e que a outra seria “as vias estruturantes [que] são muito importantes, nomeadamente a remodelação da estrada da circunvalação, e também repensar a VCI (Via de Cintura Interna)”.

Em entrevista ao “Notícias ao Minuto”, a 6 de setembro, Tiago Barbosa Ribeiro apontou ser “preciso perceber a gravidade do problema da habitação na cidade do Porto”. “Tenho designado a questão da habitação como os problemas número 1, 2 e 3 que queremos atacar, porque o Porto tem sido a cidade do município em que os preços da habitação mais têm aumentado. Foi o município onde mais aumentou o preço médio da habitação no final do ano passado”, completou.

Sérgio Aires e a construção de cinco mil casas

Em entrevista ao “Jornal de Notícias”, a 27 de julho, o candidato apoiado pelo BE defendeu a “a construção e reabilitação de cinco mil casas para resposta à carência habitacional na cidade” do Porto. O candidato também diz ser preciso criar pelo menos 30 equipas técnicas multidisciplinares para este objetivo.

Durante um dos debates televisivos o candidato frisou que “pessoas não conseguem ter casa nesta cidade. E isto é um tsunami que está a afetar os concelhos vizinhos e vai até ao Minho. Já temos concelhos no Minho que estão a sofrer com esta especulação imobiliária da cidade do Porto”. Na ocasião o candidato também propôs “um modelo de cidade completamente diferente, que seja capaz de fixar as populações”, ao contrário do “modelo de cidade-negócio que Rui Moreira impregnou nesta cidade”.

Ilda Figueiredo e a regulamentação do turismo

A candidata da coligação entre PCP e PEV (CDU) que considerou ao “Público” que se Rui Moreira tivesse “maioria absoluta” seria um “regabofe”, acreditando que para que a cidade do Porto possa crescer é preciso regular o turismo. “É necessário regular o turismo e o alojamento local, mas sobretudo construir e recuperar três mil habitações e preparar mais três mil”, disse durante um dos debates televisivos.

No mesmo debate a candidata destacou ainda que “transportes públicos gratuitos iriam diminuir a poluição. Porque é que a linha do metro que está a ser feita agora até à Boavista não passa por Lordelo e Massarelos até à Foz? Linha de Leixões deve continuar a funcionar”.

A democracia participativa de Bebiana Cunha 

No anúncio de candidatura de Bebiana Cunha, apoiada pelo PAN, a candidata destacou que as suas prioridades passam por “apoiar e promover uma democracia participativa no Porto”. Já durante o debate televisivo, Bebiana Cunha levantou preocupações relativamente à habitação e aos transportes públicos.

Quanto aos transportes, Bebiana Cunha sublinhou que “precisamos de fazer uma aposta muito grande para retirar os veículos da cidade. Precisamos de linhas eficientes de transporte público. Alargamento do metro na cidade não resolve tudo. Temos de ter um conceito de intermodalidade”.

António Fonseca e os transportes gratuitos

O candidato do Chega explicou, num debate televisivo, que a Câmara do Porto deve investir em “transportes gratuitos com intervalos curtos a toda a população durante um período experimental de seis meses para perceber qual seria a adesão”. António Fonseca também se comprometeu a “abrir mais uma creche em cada freguesia da cidade”.

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