Carlos Costa: “Apesar dos incontestáveis progressos, não há espaço para complacência”

Governador do Banco de Portugal defendeu a necessidade de forjar consensos políticos e económicos para implementar reformas estruturais.

O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, disse esta segunda-feira que apesar do sucesso de recuperação económica em Portugal após a intervenção da troika, o país deverá continuar a procurar consensos para implementar reformas estruturais.

Numa intervenção na abertura da conferência “Portugal: reform and growth within the euro area”, organizada pelo BdP e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em Lisboa, Carlos Costa enumerou os progressos na economia portuguesa nos últimos anos, apontando o crescimento do PIB, a consolidação orçamental, o início da trajetória descendente da dívida pública e a redução do malparado.

No entanto, alertou que “apesar dos incontestáveis progressos, não há espaço para complacência”. “O PIB per capita permaneceu entre 30% a 40% abaixo da média europeia”, disse o Governador criticando assim a política económica de Mário Centeno.

“A história dos últimos 40 anos ensina-nos que o impacto inicial de um programa de assistência financeira apenas será sustentável se existirem mudanças estruturais que promovam um maior crescimento potencial”, disse.

Carlos Costa identificou vários desafios que justificam a implementação de reformas estruturais no atual contexto, tais como a forte competição global no atual contexto.

“Precisamos de um Estado simples e eficiente, enquanto seja capaz de promover a coesão social ao mesmo tempo”, referiu. Realçou ainda a necessidade de transferir recursos através do setor transacionável é necessário para evitar o regresso a desequilíbrios externos, “mas pode comprometer a coesão social”. Ainda assim, “adaptar a competição é sempre desafiante e há sempre perdedores neste processo”, acrescentou.

Reconheceu, no entanto, que na ausência de um sentido de emergência e da pressão iminente do mercado financeiro, o consenso dos decisores políticos e sociais torna-se mais difícil.

“Os custos de cada reforma tornam-se mais claros e devem ser cuidadosamente considerados os benefícios decorrentes”, acrescentou.

“A natureza destes desafios transcende os modelos puramente económicos, abrangendo o equilíbrio social. A sua superação requer, assim, consenso social e político, apenas possível com um debate aberto, alargado e informado”, acrescentou.

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