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Carlos Costa: “O Novobanco é uma história de sucesso”

O ex-governador do Banco de Portugal é um defensor que a poupança dos europeus seja canalizada para investimento dentro da Europa, ou seja, para capital através do mercado.
Às 22h45 de domingo, 3 de Agosto de 2014, o então Governador do BdP, Carlos Costa, anunciou a resolução que ditou o fim do Banco Espírito Santo. “O Conselho de Administração do Banco de Portugal deliberou hoje aplicar ao Banco Espírito Santo SA uma Medida de Resolução. A generalidade da atividade e do património do BES é transferida para um banco novo denominado de Novo Banco devidamente capitalizado e expurgado de ativos problemáticos”, fica para a história como o discurso que decreta o fim do BES.
28 Setembro 2025, 15h20

Carlos Costa, que protagonizou, enquanto Governador do Banco de Portugal, a primeira medida de resolução aplicada a um banco português – Banco Espírito Santo – e a criação do Novobanco, no longínquo dia 3 de agosto de 2014, considera hoje que “o Novobanco é uma história de sucesso”. Não é para menos, o banco que saiu das cinzas do BES foi vendido ao grupo francês BPCE por 6,4 mil milhões de euros. Carlos Costa explicou que “o Novobanco foi uma transação favorável”.

“Foi uma compra de um benefício imediato que foi pago a prestações: “os bancos tiveram um benefício imediato, porque se evitou a perda de confiança nos bancos e o descalabro do sistema financeiro, benefício que vai ser pago a prestações durante 40 anos. Digam se havia melhor transação no mercado”, disse.

Estas declarações foram feitas no painel “Chave um. Fogo Cruzado. O sistema financeiro europeu: quase tudo por fazer?” da conferência que celebrou os nove anos do Jornal Económico, dedicada ao tema presente e ao futuro da União Europeia. Neste painel participaram Carlos Costa, antigo governador do Banco de Portugal e Carlos Albuquerque, ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos, ex-diretor de supervisão do Banco de Portugal e autor do livro “Os Bancos Portugueses e o Mecanismo Único de Supervisão (SSM)”.

Ao longo da conversa, o ex-Governador do Banco de Portugal mostrou ser a favor da teoria subjacente à criação da União da Poupança e Investimento, ou seja, defende que a poupança europeia, que ultrapassa os 800 mil milhões de euros, seja canalizada para o investimento europeu (através do mercado de capitais).

“A Europa é excedentária de poupança o que explica a nossa exposição ao risco de outros continentes e em particular do continente americano”, realçou, acrescentando que “a função do sistema financeiro é a de transferir poupança para as necessidades de financiamento e ao mesmo tempo assegurar a estabilidade financeira, dando garantia mínima ao aforrador e garantia máxima ao depositante”.

“É necessário que do lado do destinatário da poupança haja capacidade para absorver parte das perdas que resultam deste risco, e é necessário também que a banca esteja atenta para o equilíbrio entre capitais próprios e capitais alheios do setor que utiliza os recursos (empresas e particulares)”, acrescentou.

O ex-Governador do Banco de Portugal, alertou que “os níveis de capitais próprios das empresas melhoraram por força da crise, mas não têm sido reforçados, também porque o nosso mercado de capitais não é suficientemente atrativo para que os aforradores transfiram o seu aforro que está em depósitos, para ações”.

“Uma banca pan-europeia de crédito passa necessariamente por fusões e aquisições”, defendeu também o ex-Governador.

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