Carvalho Rodrigues: “Há uma grande diferença entre inovação e moda da inovação”

Carvalho Rodrigues, o ‘pai’ do satélite português, não fez uma conferência normal: inovou quanto bastasse na apresentação, na forma, e nas conclusões. Uma lição.

Cristina Bernardo

Lisboa, Cascais, Sintra, Gaia e o Porto. A geografia que são a causa “da devastação do interior”, porque é lá que está cativa toda a energia que devia ser escalada para todo o território nacional, disse Fernando Carvalho Rodrigues, ‘keynote speaker’ do seminário ‘Inovação como estímulo para o desenvolvimento da Região Centro’, terceira conferência do Ciclo Portugal Inteiro, organizada pelo Jornal Económico e pela Altice.

Tudo isto se resolve com inovação, “não é?”, perguntou. “Não, não é”. Para Carvalho Rodrigues – conhecido como o ‘pai do satélite português’ – uma coisa é a inovação e outra bem diferente é “a moda da inovação”, que o cientista quis depreciar.

Responsável máximo pelo consórcio PoSAT, que construiu e lançou o primeiro satélite português (26 de Setembro de 1993), Carvalho Rodrigues recordou que a causa das coisas é “aprender e depois aprender a ser, para depois ser”, para colocar em evidência que o conhecimento e a inovação não são massas estanques que podem evoluir em separado.

Numa intervenção que foi só por si um exercício de inovação, Carvalho Rodrigues explicou que “temos de resolver o problema dos cinco concelhos” que referiu. “É esse o problema de Portugal, e se esse problema for resolvido” tudo o mais tenderá a dirigir-se para um equilíbrio que de outra forma não sucederá nunca.

“E são esses cinco concelhos que vão eleger mais deputados”, recordou – mas isso não importa nada: “D. Dinis esteve estar felicíssimo porque fez o mesmo que a Altice, para fazer um Portugal Inteiro”, afirmou. “Se formos capazes de percebermos onde estamos doentes e sabermos da desertificação como um sintoma e não como uma causa”, esse será o primeiro passo para a solução do problema das assimetrias, concluiu.

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