Caso dos emails. Juiz pede escusa por ser benfiquista

Juiz Eduardo Pires é titular do Red Pass do Benfica, tem lugar cativo no Estádio da Luz e, pelo facto de ser sócio há pelo menos 50 anos, recebeu uma “Águia de Ouro”. Em junho do ano passado, o FC Porto, a SAD do clube e Francisco J. Marques foram condenados a pagar dois milhões de euros.

O juiz desembargador Eduardo Pires, do Tribunal da Relação do Porto, pediu escusa do processo dos e-mails que opõe o Benfica ao FC Porto, de acordo com a manchete do jornal Público deste domingo.

O jornal teve acesso ao pedido do presidente da Relação do Porto, Ataíde Neves, remetido na passada terça-feira, 14 de janeiro e, de acordo com a “Sábado” que cita o “Público”, é explicado que o juiz Eduardo Pires é titular do Red Pass do Benfica, tem lugar cativo no Estádio da Luz e, pelo facto de ser sócio há pelo menos 50 anos, recebeu uma “Águia de Ouro”.

“Pese embora a imparcialidade que sempre regeu o seu exercício profissional e que também nortearia neste caso, é, em consonância com tudo o que se tem vindo a referir, um apaixonado adepto do Sport Lisboa e Benfica, o que pode, ponderosamente, levar a que se possa suspeitar dessa sua imparcialidade”, escreveu o juiz desembargador, de acordo com a “Sábado” que cita o parecer revelado na edição deste domingo do “Público”.

Em junho do ano passado, o FC Porto, a SAD do clube e Francisco J. Marques foram condenados a pagar dois milhões de euros. Este valor total compreende 532 mil euros em danos patrimoniais e 1,47 milhões de euros em danos não emergentes. E arriscam a pagar outra indemnização ao Benfica por danos que ainda não estão quantificados pela apropriação de segredos de negócio como contratos de patrocínio, bem como com jogadores e treinadores, metodologias de treino dos seus jogadores. E acesso a dezenas de elementos clínicos de atletas  do clube das águias como lesões dos atletas da equipa de futebol profissional, relatório do departamento clínico de Futebol referente à Equipa B do SLB e boletim clinico diário do plantel de juniores, entre dezenas de outras informações.

A sentença do Tribunal Judicial da Comarca do Porto relativa ao caso dos emails divulgados no Porto Canal, a que o Jornal Económico teve acesso, conclui que o termos e condições dos contratos de patrocínio, os valores envolvidos, as condições da sua renovação ou melhoria, a correspondência e comunicações entre o Benfica e os seus patrocinadores, bem como as respetivas comunicações e mensagens, os contratos dos jogadores “são segredos de negócio e são-no também porque são sigilosos e apenas conhecidos das autoras e das partes diretamente contratantes”.

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